Archive for agosto, 2009

Problema X Fato

segunda-feira, agosto 31st, 2009

 

Problema x Fato

 

Uma das grandes confusões e que acarretam grandes sofrimentos é a definição de problema e fato. Quando encaramos uma coisa como outra nossa vida vira um caos.

Por definição problema é tudo aquilo que tem solução. O resto é fato.

Vamos extender isto.

Avalie na sua vida os dissabores que esteja passando neste momento e faça uma pergunta simples para cada um destes dissabores: Tem solução? Veja que é uma pergunta que só admite duas respostas. Ou sim ou não. Se a resposta for SIM é sinal que é um problema, caso contrário é um fato.

Problema, para ser considerado problema, TEM de ter solução. Pode não ser uma solução agradável, pode não ser uma solução isenta de sofrimento. Mas é solução.

O fato é tudo aquilo que não tem solução. É tudo aquilo que acontece e não tem como remediar.

Gosto de exemplos para ilustrar. Vamos a eles.

Primeiro caso:
Perdi minha perna num acidente.
Isto é FATO. Por mais que eu queira não vou colar minha perna de volta e não vai nascer outra perna.

Segundo caso:
Fiquei desempregado.
Isto é PROBLEMA. Assim que arranjar outro emprego tudo fica solucionado.

Terceiro caso:
Minha mãe faleceu.
Isto é FATO. Por mais que eu queira e por mais que eu a ame ela não vai reviver.

Todas as vezes que confundimos um fato com um problema nossa vida literalmente para. Se transformarmos um fato em problema teremos nas mãos o maior problema de nossa vida, ou seja, um problema que não tem solução mas que gastaremos todas as nossas forças procurando. Com isto este fato que virou problema transforma-se no maior e o mais prioritário dos problemas e aí os outros problemas (que são realmente problemas) ficam por resolver. Ou seja, iremos acumular pequenos problemas (que tem soluções) que não serão resolvidos porque existe um problema enorme que ficou como prioridade em nossa vida.

Imaginem que a vida realmente pára. Ficamos estacionados no mesmo lugar procurando uma forma de solucionar algo que não tem solução. As vezes até sabemos que não tem solução, mas ficamos parados do mesmo jeito.

Isto acarreta frustração, pois a pessoa que não consegue resolver seus problemas se sente como o pior dos seres humanos. Fica achando que é inferior a todas as outras pessoas que trazem um belo e largo sorriso no rosto. Com a frustração vem a depressão. Dependendo do grau de depressão vem remédios controlados e que causam mais transtornos ainda. E tudo isto porque resolvemos encarar um fato como problema.

Exercício para fazermos diariamente: Classificar os acontecimentos ruins em nossa vida. Só existem duas opções nesta classificação. Classifique como PROBLEMA ou como FATO. Se for problema corra atrás da solução e se for fato trate de trabalhar em si mesmo a aceitação do mesmo.
 

O Mal e o Remédio

segunda-feira, agosto 31st, 2009

 

O Mal e o Remédio

 

Para todo mal existe um remédio. Pelo menos esta é a minha forma positiva de ver as coisas. Todo e qualquer mal tem de ter um remédio. Pode ser que o remédio seja muito amargo, mas é remédio.

Não me refiro aos males físicos. Estes os médicos curam com destreza através da medicina. Mas falo dos males que ninguém vê, daqueles que não aparecem em exames clínicos ou, quando aparecem é porque já são consequências de um mal bem maior (é só a “ponta do iceberg”).

Eu desempenho um papel numa instituição filantrópica de atendente fraterno. O que é isso e para que serve isto? Resumidamente falando é a pessoa que se dispõe a ouvir os problemas dos outros e tentar mostrar um outro ângulo do mesmo problema. Não significa que vai dar a solução do mesmo (e isto nunca acontece) mas apenas é uma outra visão sobre o mesmo fato e daí modificamos a ótica do mesmo.

Sou aquela pessoa que tem paciência de ouvir o desabafo de alguém que está (muitas vezes) desesperado e o simples fato de compartilhar com alguém uma situação difícil já sente um grande alívio.

Sou aquela pessoa que empresta o ouvido e se presta a dar algum pitaco positivo na vida dos outros.

Desempenho este papel já fazem aproximadamente uns cinco anos e neste tempo todo tenho muita história para contar.

Antes de qualquer coisa, a minha ética para com o trabalho me impede de relatar particularidades dos problemas que ouço. Quando comento os problemas nunca os associo às pessoas pois isto seria constrangê-las e aí perco a credibilidade no que faço.

Bem. Já ouvi uma mãe que chegou me dizendo que o relacionamento com a filha de 23 anos estava muito ruim pois raramente conversavam. Perguntei a ela o que estava sendo feito para resolver o problema. E ela me responde a resposta mais comum: Nada! Então receitei a ela uma coisa que já receitei para um monte de gente e deixo aqui registrado para quem possa se encaixar nisto. Dei o nome de Terapia do Abraço. É bem simples de fazer. Basta dar um abraço. Não precisa dizer nada, nem de pedir e nem de dar satisfações. Apenas dê um abraço curtinho (no início), mas dê. Vai ser forçado, eu sei. Mas não se importe com isto. A pessoa não vai retribuir, mas não se importe com isso. O abraço é um presente, então dê o presente independente se a pessoa quer ou não. O que ela fará com o presente que você deu não é problema seu. Apenas dê o abraço. No dia seguinte faça a mesma coisa. Dê outro abraço. Não peça outro em troca. Dê o seu abraço. Vai notar que o tempo do abraço vai aumentar gradativamente. O que antes era um abraço curtinho, com pouco tempo passa a ser aquele abraço apertado. Se a pessoa te perguntar porque você está dando este abraço, responda que deu vontade de abraçá-la e não vai mais segurar esta vontade. O que vai acontecer no futuro? As pessoas tornam-se mais tolerantes para ouvir uma a outra. Sem gastar um centavo sequer com remédio ou terapeuta.

Ouvi uma outra mãe reclamando da filha de 4 anos de idade. A criança estava muito rebelde, não obedecia, fazia “n” coisas erradas e parecia sentir prazer em irritar principalmente a mãe. A minha recomendação: SEJA MÃE! (Até já escrevi sobre isto noutro texto, se quiser lê-lo clique aqui!). E ela, obviamente, me perguntou como era isto, porque sempre acho que era mãe pois a criança era sua filha. E eu perguntei a ela quando foi a última vez que disse para a filha que a amava, que a colocou no colo para brincar com ela, que deitou com ela na cama para fazer carinhos (e mais um monte de coisas). Para minha surpresa ela me disse: Já entendi o que você quer dizer, pois muito raramente eu faço isto. Não me recordo quando foi a última vez que fiz alguma coisa assim.

Ouvi uma senhora que me disse que estava cheia de problemas. O filho estava preso, a mãe estava doente e se recusava a fazer o tratamento médico, a filha estava grávida do namorado, a esposa do filho preso estava reclamando que os filhos estavam dando trabalho (e falou mais alguns problemas que hoje eu não recordo). Ouvi tudo o que ela tinha para dizer. Quando tive uma deixa eu disse: A senhora me relatou vários problemas dos outros, mas e os seus problemas, quais são? Esqueça os problemas dos outros por enquanto porque agora eu quero ouvir os seus problemas. Houve um silêncio que eu não ousei em quebrá-lo. Ela, finalmente, rompeu o silêncio dizendo: Você tem toda razão! Eu não tenho problemas! Todo mundo tem problema mas eu mesma não tenho. Claro que emendei aqui o fato de que não devemos pegar para nós o problema dos outros (também escrevi sobre isto, se quiser ver clique aqui!).

Não dá para contar aqui mais de cinco anos de trabalho. O que eu quero mostrar é que em toda situação que acontece há sempre uma forma diferente de ver o mesmo fato de maneira que ele não pareça ser aquele bicho de sete cabeças. Ou seja, para todo mal que se apresenta existe um remédio interessante e fácil de ser administrado (em algumas vezes só vai custar um pouco de nosso orgulho, mas isto devemos pagar com prazer).

 

Sim ou Não?

terça-feira, agosto 25th, 2009

 

Sim ou Não?

 

A quem eu devo agradar? A resposta mais óbvia e (ao mesmo tempo) a menos considerada: Eu mesmo!

Longe de ser uma atitude egoísta, mas é uma questão de prioridade mesmo. Se não priorizarmos a nós mesmos (em termos de satisfação) seremos eternos insatisfeitos com tudo e com todos.

É possível ajudar a quem quer que seja (mesmo com pequenos sacrifícios de nossa parte) sem que fiquemos insatisfeitos.

É muito ruim quando, para agradar alguém, sacrificamos a nossa felicidade. Aí a pergunta deveria ser: E EU??? COMO FICO NISTO TUDO???

As pessoas (e nós estamos incluídos nisto também) sempre pensam em si próprios na hora de pedir algum favor. Nunca pensam (e nem tem como pensar ou avaliar) se a outra pessoa vai sacrificar a sua própria infelicidade para nos satisfazer.

Por que isto é tão difícil dizer “NÂO”? Não deveria ser, mas é. Deveríamos falar o bendito “NÃO” com tanta facilidade quanto falamos o “SIM”. Mas é o medo de perder a amizade ou o medo de não sermos considerados legais. Se analisarmos por outro lado vamos ver que todo este medo é infundado. E nesta análise eu serei frio (e bem objetivo). Se alguém nos pede alguma coisa e não aceita um “NÃO” como resposta é sinal que este alguém não serve para estar no nosso círculo de amizades. Tá na hora de mandar esta pessoa “passear” (para não dizer coisa pior). Se sempre dissermos “SIM” quando na verdade gostaríamos de dizer “NÃO” com certeza nos sentiremos frustrados em pouquíssimo tempo. Frustrados por sempre estarmos numa condição de agradar a todo mundo menos a nós mesmos.

Está na hora de darmos um basta nos pedidos que são mais parecidos com uma intimação dizendo “NÃO”. Não precisamos ser indelicados e nem somos obrigados a justificar o nosso “NÃO”. Esta é uma das preocupações que temos: Arranjar uma boa desculpa para negar alguma coisa. Não precisamos disto. Falar a verdade é sempre a melhor saída. Por que não vou acompanhar a pessoa num lugar que considero chato? Porque não quero ir a um lugar que não me agrada! Pronto! Por que não vou ajudar aquele amigo a pintar o seu apartamento? Porque quero descansar, afinal de contas trabalho muito durante a semana. Sim, não vou ficar fazendo nada. Vou ficar de papo para o ar ao invés de ficar pintando um apartamento. Tenho este direito? SIM, CLARO QUE TENHO! Sinceramente, não vejo onde está o problema em dizer “NÃO”.

Volto a afirmar: Se a pessoa que nos pede não souber receber o nosso “NÃO” é sinal que não serve para estar em nosso círculo de amizade, visto que não se preocupa conosco (a prova disto é que não se importa se eu estiver insatisfeito para que ele esteja satisfeito).

Como diz o título de um bom livro que li: “Não Diga SIM Quando Quer Dizer NÃO”.

 

Problemas

segunda-feira, agosto 24th, 2009

 

Problemas

 

Você pode me ajudar aqui?

Fazer este pedido com sinceridade nas palavras é algo tremendamente difícil! Estas palavras soam como um pedido ou como uma intimação? Aí está a grande dificuldade…

O que podemos fazer para ajudar a quem nos pede? Até que ponto devemos realmente ajudar?

O que eu quero dizer aqui é que devemos apenas (e tão somente) ajudar, mas não podemos, em hipótese alguma, tomar o problema para nós mesmos. Se assim fizermos não desfrutaremos dos louros do êxito mas arcaremos com o ônus do fracasso. Bem ruim isto, não?

Eu adoro exemplos práticos (já perceberam, né?). Então vamos a um deles. Suponhamos que somos motoristas de taxi. Alguém entre em nosso taxi e diz: “Vamos bem rápido porque senão vou perder o meu vôo”. Vamos decifrar isto. O passageiro tem um problema: Está atrasado para o seu vôo. Se nós (na pele do motorista de taxi) assumirmos este problema como nosso então vamos trafegar em alta velocidade, avançar sinais vermelhos e desrespeitar outras leis de trânsito. Com isto corremos o risco de atropelar alguém, causar algum acidente e/ou ganhar uma multa. Ok, vamos partir do pressuposto que conseguimos chegar ao aeroporto em segurança, porém, ganhamos uma multa. Valeu a pena ter assumido o problema alheio como nosso? Agora nós é que teremos outro problema (a multa, na melhor das hipóteses).

No caso de sermos o motorista de taxi podemos (no máximo) auxiliar para que o problema do passageiro seja resolvido ou que tenha consequências menos danosas. Mas nunca assumirmos o problema e/ou nos arriscar.

Isto é para a vida. Se assumirmos os problemas dos outros teremos uma grande dificuldade para resolvê-los por vários motivos:
1. Quem tem realmente condição de resolver os problemas são seus donos legítimos, visto que a vida deles é que proporciona as condições necessárias para isto.
2. Não iremos considerar a vontade dos legítimos donos de realmente resolverem os problemas, pois normalmente a vida exige mudanças.
3. Não nos é possível agir pelos outros ou viver a vida dos outros. Então não dá para comportar pelos outros nas mais diversas situações.

E quando assumimos os problemas dos outros e não conseguimos chegar à solução iremos ficar frustrados pois é mais um problema que fica para trás. Vamos lembrar que assumimos como nosso o problema que realmente não é. E a frustração é o menor dos problemas que pode acontecer. Outros (mais sérios) podem ocorrer. Tais como: Estado depressivo, perda da amizade (por exigirmos que a pessoa tome atitudes), entre outras coisas.

Eu não me canso de devolver para os outros os problemas que querem me transferir. Exemplo? Fácil. Outro dia uma pessoa me disse:
– Tem como você comprar uma coisa no seu cartão de crédito para mim?
Aff… não gosto muito disso, mas é uma pessoa da minha extrema confiança…
Eu respondi:
– Tem sim, claro.
– Mas eu tenho de comprar hoje.
– Hoje eu não posso. Só vou poder te acompanhar à loja daqui a três dias.
– Mas para mim não dá. O que eu vou fazer?
Pronto! Tá querendo me passar o problema! Dependendo da resposta que eu der a esta pergunta maldita o problema vira meu! Então a minha resposta sempre é:
– Não sei. O que você vai fazer?
Bingo!!! Devolvi o problema a quem de direito.

Outro exemplo: Uma vez minha filha me disse (por volta das 23:00):
– Pai, tenho de entregar um trabalho amanhã e preciso pesquisar na Internet.
(normalmente eu a ajudo nas pesquisas)
– Eu respondi: Você está com um grande problema, porque não dá pra te ajudar hoje. Se tivesse me dito ontem ou até hoje mais cedo ajudaria com prazer, mas agora infelizmente não vai dar.
– Mas se eu não entregar o professor vai achar ruim comigo.
– E com razão. Eu no lugar dele também acharia! E aí? O que você vai fazer?

Não vou colocar o resto do diálogo… rsrs… Mas o fato é que nunca mais ela deixou para a última hora para me pedir ajuda.

É bom estarmos atentos pois além de muita gente querer nos transferir os problemas as vezes nós mesmos temos este hábito feio. Ninguém tem a obrigação de resolver os nossos problemas da mesma forma que não temos a obrigação de resolver o problema de ninguém.
 

Julgamentos

sexta-feira, agosto 21st, 2009

 

Julgamentos

 

Aí está algo em que somos mestres por natureza. Julgar!

Percebam que existe uma diferença gritante entre julgar e avaliar. Na avaliação há sempre a possibilidade do erro, mas no julgamento não. Julgo e condeno (num mesmo ato). A avaliação é apenas uma observação (mesmo que tendenciosa).

Aprendemos desde pequenos que não devemos julgar ninguém, então, por causa deste “aprendizado” nunca admitimos que julgamos. É a mesma história da maledicência que comumente dizemos: Não estou falando mal, estou apenas comentando!

Basta aparecer uma oportunidade que julgamos e condenamos as pessoas sem que elas tenham feito nada conosco. Agimos assim por prevenção mesmo. Com medo de que esta pessoa faça conosco o que ficamos sabendo o que ela fez com os outros. E aí mora o grande perigo: O QUE FICAMOS SABENDO.

Lembram da frase (que até já virou jargão) que diz: Toda história possui no mínimo dois lados? Pois bem, saber apenas um lado da história e (a partir disto) julgar e condenar tem um nome bem feio: LEVIANDADE (mas pode chamar também de IRRESPONSABILIDADE ou IMATURIDADE que se aplica muito bem).

Já me justificaram o julgamento com um argumento bíblico dizendo que pelos frutos se conhece a árvore. Mas somente conheceremos a árvore pelos frutos se realmente conhecermos TODOS os frutos. Não dá para condenar uma goiabeira se acharmos uma goiaba com bicho. Fora disto é um julgamento prévio e (tecnicamente) infundado.

Julgar é comparado com aquele ato de bater o martelo dos juízes num tribunal. Ou seja, DECIDIDO. E é decisão que não se volta atrás. Só volta atrás com decisão superior e de outro juiz, nunca do mesmo. E é isto que fazemos. Julgamos e aí o nosso orgulho nos fecha num casulo protetor de forma que nos impede de ver o que (muitas vezes) está na cara: Agimos precipitadamente.

Deveríamos ser mais cautelosos em nossos julgamentos. Normalmente lesamos alguém com eles. Seja o “réu”, seja as pessoas que viram o nosso julgamento e (principalmente) nós mesmos porque alimentamos o nosso orgulho com tudo isto.

Atitudes contrárias ao julgamento: Benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão incondicional. Difícil? Não, desde que nos esforcemos para isto. Cruzar os braços e nos manter na mesma posição é que não nos fará sair do lugar.
 

Confiança

quinta-feira, agosto 20th, 2009

 

Confiança

 

Confiança é sempre uma coisa delicada.

Não há um modelo ideal que podemos seguir cegamente. E por falar em cegueira, acredito que a confiança cega nunca deve ser adotada.

Bem já coloquei um monte de coisa agora é hora de tecer alguns comentários.

Não existe fórmula para que o resultado seja DIGNO DE CONFIANÇA ou INDIGNO DE CONFIANÇA. Cada pessoa exige um método diferente de teste sendo que em cada pessoa confiamos de uma forma diferente. Isto porque somos todos diferentes um do outro. Temos valores diferentes e isto produz resultados diferentes.

Não queira comparar a confiança depositada numa pessoa com a confiança depositada noutra. Com certeza nunca vai chegar a conclusão nenhuma. As vezes confiamos um assunto a uma pessoa e não fazemos a mesma coisa com outra e vice-versa. Daí não dá para dizer que confiamos mais numa pessoa do que em outra apenas por esta questão. Dá para falar isto pelo volume de coisas que confiamos a uma pessoa se compararmos com o volume que confiamos em outra.

O ideal (ao meu ver) é ter cuidado com tudo isto. Ninguém, em tese, é obrigado a suprir as expectativas de confiança que nós depositamos. Então, nada de confiar coisas importantes em quem mal se conhece. Se quer trabalhar a confiança de alguém, primeiramente trate de conhecê-la. Você saberá se pode confiar nesta pessoa se ela não lhe revelar detalhes íntimos de seus amigos que lhe confiaram algo. Ou seja, se a pessoa foi capaz de contar “segredos” das outras é sinal que vai contar os seus também.

Uma questão delicada é a confiança cega. Não devemos ter isto com ninguém. Confiança cega (no meu ponto de vista) significa perda da própria identidade. Exemplo: A pessoa em quem eu confio cegamente me diz que alguém não é bom eu não posso julgar a pessoa (vítima da língua maldita, rs) apenas pelo que ouvi. Se fizer isto estou agindo cegamente e sem personalidade. Temos de ter nossas próprias opiniões baseadas em nossas próprias análises. Mesmo correndo o risco de ouvirmos a velha (e pobre) frase: “Eu bem que te disse”.

Existem pessoas em quem tenho a mais alta confiança. Pessoas que se eu estiver cego e estas pessoas estiverem ao meu lado enxergaria o mundo pelos olhos delas. Mas isto não é agir cegamente, pois ainda tenho minhas opiniões que podem ser contraditórias ao que estas pessoas me dizem.

Qual é o risco de se confiar em alguém? Bem, primeiramente é de ter o objeto de confiança “quebrado” (segredos divulgados a terceiros, atitudes tomadas sem que esperássemos, etc). E junto com isto vem a decepção por termos confiado em alguém que nos traiu. Após isto vem a mágoa, pois dificilmente iremos confiar novamente.

Eu sempre digo que uma pessoa só consegue quebrar minha confiança uma única vez. Depois disto nunca mais confio nada. Ou seja, a pessoa (em termos de confiança) passa a ser tal qual um estranho. Nunca mais confio nada a esta pessoa. Ao mesmo tempo me cuido para que a confiança em mim depositada pelos meus amigos não seja quebrada. Tenho uma preocupação muito grande nisto, pois não gosto de fazer com os outros aquilo que não quero me façam comigo.

Este texto é uma singela homenagem a alguém que recentemente traiu feio minha confiança e perdeu toda a credibilidade que tinha comigo. Não vou citar nomes nem fatos que indiquem quem é a pessoa e nego qualquer tentativa de adivinhação (qualquer nome que me for citado eu vou dizer que não é tal pessoa) então nem precisa tentar.

Aí entra a minha ética onde eu acredito que não é necessário constranger as pessoas a nada…

 

Mudanças

quarta-feira, agosto 19th, 2009

 

Mudanças

 

Estamos em constante mutação desde que nascemos, já perceberam isto?

Não falo das mudanças físicas porque isto é muito óbvio (estamos envelhecendo e ainda não existe nenhuma fonte da juventude). Mas falo das mudanças psicológicas mesmo.

Não existe nenhuma pessoa que pode afirmar que não mudou em nada de um ano para outro. Falei num espaço de um ano mas as mudanças ocorrem em tempo bem menor que isto. Diria que acordamos todos os dias diferentes… Mas não vou entrar nesta questão.

A vida nos mostra os caminhos que devemos ir por conta própria e se recusamos ir a própria vida se encarrega de nos guiar para lá. Normalmente a segunda opção é acompanhada de dor (e/ou sofrimento).

É exatamente nisto que quero me ater neste texto. Temos sempre duas opções de mudanças. Podemos mudar por conta própria (que é bem tranquilo) ou podemos esperar que a vida nos proporcione situações que nos obrigue a mudar.

Querem um exemplo. É bem fácl. Numa delegacia de polícia daqui de Belo Horizonte há um cartaz que diz assim: “Eduque seu filho, caso contrário nós o educaremos por você!”. É uma frase bem forte, mas que retrata uma realidade muito grande. Não estou jogando a responsabilidade para os pais mas para os filhos. Nós temos todas as oportunidades de aprender o correto com carinho, com respeito e sem violência dentro do lar. Mas se não quisermos isto, não tem problema. A vida se encarregará de nos ensinar a agir corretamente. Com certeza com dor E sofrimento.

Não precisamos sofrer por nada neste mundo se reconhecermos as imposições que vida nos faz. Busquem aí na memória todas as vezes que sofreu. Garanto que em todas havia uma segunda opção que se tivesse sido anteriormente escolhida o sofrimento não teria acontecido. É bem comum (pelo menos comigo) pensar: “Se eu tivesse agido de outra forma nada disto teria acontecido…” numa lamentação interminável por um fato desagradável que ocorreu.

Como sou muito observador é relativamente fácil fazer uma relação entre o sofrimento e o comportamento atual. Tem pessoas que sofreram muito e tem atitudes que nunca levariam a este tipo de sofrimento. Mas investigando a vida pretérita é possível ver que o comportamento anterior ao sofrimento era bem diferente, ou seja, mudaram por extrema imposição da vida.

Mas tem outras pessoas que, infelizmente, sofreram muito (muito mesmo) mas continuam na mesma linha de pensamento e comportamento. Eu nunca falo isto diretamente para ninguém (não me acho no direito disto). Mas teve uma pessoa que eu disse: “Não sei quais sofrimentos que você teve em sua vida, mas prepare-se para mais”. É óbvio que a pessoa riu disto tudo. E chorou dois anos depois me contando o caos que a sua vida havia virado. Não sou adivinho, mas tem coisas que estão tão na cara que até meu filho de cinco anos é capaz de dizer com extrema segurança.

Dia após dia eu vejo esta característica nas pessoas e eu sempre lamento profundamente por estarem nesta condição. Lamento porque não gosto de ver sofrimento de ninguém (por pior que seja). Tento ajudar (juro que tento), pois saber que o sofrimento é resultante das (más) escolhas não justifica o cruzar de braços. Então ajudo sim. E quando a pessoa é alguém que gosto só falta eu sofrer junto…

Tem uma “meia dúzia” de pessoas que eu mantenho sempre um olhar atento por saber que irão passar por poucas e boas (e não vai demorar). Torço para que eu tenha condições de ajudar em alguma coisa…

Este texto é (quase) um apelo. Vamos prestar atenção no que podemos mudar positivamente em nossa vida para que mais tarde não tenhamos que mudar por imposição (através do sofrimento).

 

Saber Viver

terça-feira, agosto 18th, 2009

 

Charles Chaplin

 

“Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isto tem nome… Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse pra baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei menos vezes. Hoje descobri a… Humildade.

 
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é… Saber viver!!!”

Charles Chaplin

Egoísmo

segunda-feira, agosto 17th, 2009

 

Egoísmo

 

Dificilmente eu resolvo falar de um tema polêmico. Exceto se tiver alguma inspiração para tal.

Falar o que é o egoísmo nem precisa. Já estamos aprendendo isto desde pequenos através de nossos pais que nos alertavam que não podemos ser egoístas.

Que nós todos somos egoístas isto eu não tenho dúvidas. O egoísmo é uma das chagas da humanidade (junto com o orgulho e a vaidade).

Mas onde podemos observar pequenos pontos egoístas em nós? Sim, pequenos porque os grandes pontos não conseguiremos atacar (e se assim fizermos é uma briga que iremos perder feio).

Todas as vezes que negamos ajuda quando podemos e temos condições para isto estamos agindo egoísticamente.

Vejo alguém com atitudes que não concordo por saber que estão erradas. Criticar os outros é tarefa complicada e delicada. Mas se temos abertura para tal não fazer por simples preguiça (ou capricho) é sinal claro do egoísmo.

O que fazer neste caso? Ajudar onde for preciso e onde for possível.

O que eu disse sobre a crítica aos outros é sério. Devemos ter um cuidado extremo ao tecer alguma crítica (mesmo que seja construtiva, pois é construtiva aos nossos olhos e nunca sabemos como é o olhar do outro). Mas em algumas vezes temos a anuência expressa de algumas pessoas para tecer estas críticas. Não coloco estas pessoas num pedestal (aliás, não coloco ninguém) porque ser aberto à críticas sem melindre é obrigação do ser humano civilizado.

Se eu tenho algo a dizer sobre alguma coisa que sei não estar certa e sei que posso ajudar minha consciência me dói na mesma hora. Não consigo deixar passar se tenho todas as possibilidades para ajudar (mesmo que palidamente).

Deixo aqui o meu pedido explícito (e minha autorização) a todos que estão lendo este texto: Podem me criticar. Por pior que a crítica pareça aos olhos dos outros sempre encaro da forma construtiva pois vou utilizá-la para crescer (independente da intenção de quem criticou). Não sei tudo, não sou conhecedor de todos os assuntos e tenho ânsia de aprender.

Este pedido que fiz aqui traduz o que eu tento fazer com relação aos outros. É óbvio que não faço isto sem checar se estou violentando a liberdade alheia ou se vou causar transtornos.

Esta é somente uma nuance do egoísmo que, infelizmente, é muito extenso. Noutra oportunidade volto para extender mais o assunto.

 

Sonhos

segunda-feira, agosto 17th, 2009

 

Sonhos

 

É curioso como a vida passa e modificamos nossos gostos e valores.

Eu era pequeno e queria ser grande. Fazia mil programações para “quando eu crescer”. Trabalhar, ter meu dinheiro, ter minha vida, etc.

Bem, cresci (ou pelo menos acho que cresci). Bem que eu gostaria de ser pequeno… Ter menos responsabilidades perante a vida, não ser cobrado em várias coisas. Ter, como única obrigação, boas notas na escola. Estudar. Assistir sessão da tarde ou dormir.

Mas nesta época os meus interesses eram bem outros. Me preparar para trabalhar. Vislumbrar exatamente as minhas aptidões. Lembro que gostaria de ser engenheiro, mas o contexto onde vivia girava em torno disto. E eu gostava de eletrônica. A coisa andava por este lado. Preocupava com o primeiro emprego, como ia fazer, cheio de dúvdas. Veio a maioridade e foi o estresse do alistamento militar e carteira de motorista.

As vezes relembro esta época e acho graça nos apertos que passava em comparação com os de hoje. Em compensação hoje tenho mais experiência, então pode mandar que mato no peito!

O fato é que hoje tenho vontade de fazer uma verdadeira faxina nas minhsa obrigações e enterrar mais da metade delas. Ter uma vida mais leve, mais solta desprendido de tudo e de todos.

Enquanto não consigo uma varinha mágica que seja capaz de voltar o tempo sem perda de consciência, sem esquecer de minhas atuais experiências (que serão MUITO úteis caso isto aconteça) vou tratando de viver aqui o melhor possível dentro das minhas possibilidades.

E você? Quais eram suas aspirações de criança/adolescente? Realizou todas elas? Ou sofreram mutações por causa das circunstâncias e/ou idade?