Archive for agosto, 2010

Ponto de Vista

terça-feira, agosto 31st, 2010
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É incrível a nossa capacidade de enxergar e enfatizar coisas ruins.
 
Observem o quanto é grande esta nossa capacidade e ficarão (como eu fiquei) supreendidos.
 
Os nossos comentários sobre qualquer coisa ou qualquer pessoa sempre terminam com alguma coisa ruim (estava muito bom, exceto…). É interessante observarmos isto porque se sempre estamos esperando alguma coisa ruim acontecer ficamos na posição receptiva (o que não é nada bom).
 
Já ouvi um absurdo neste assunto:
– Hoje acordei tão bem que estou até preocupado de alguma coisa ruim acontecer!
 
Onde está a nossa capacidade de viver o bom momento sem deixar que nada interfira???
 
Ficamos surpresos com alguma coisa boa que acontece e sempre estamos esperando alguma coisa ruim acontecer. Mas sabem o que me chama atenção? Os bons momentos são em maior número e em maior quantidade. Não tenho medo de errar ao dizer que a maioria esmagadora de nossos momentos são classificados como bons (ou alegres) e a minoria absoluta é que podemos dizer que são ruins. Curiosamente esta minoria absoluta se torna gigantesca perante nossos olhos.
 
Será que o correto é realmente observar as coisas ruins?
 
Não me aguentei e perguntei isto a uma outra pessoa. Fui prontamente respondido com:
– Devemos nos alegrar com coisas boas e nos preparar para as ruins.
 
Fiz questão de não argumentar, mas é curiosa esta preparação. Eu digo que sofremos muito mais preparando para algo ruim do que o fato propriamente dito.
 
No fundo é a nossa visão que deve ser modificada pois enxergamos a pequena parcela do mal em meio a tanta coisa boa.
 
Façam o teste (eu fiz!). Antes de dormir tentem enumerar os acontecimentos do dia e classificá-los como bons e ruins (nada de "meio termo", ou é bom ou é ruim). Sem conhecer a vida de ninguém que lê este texto posso afirmar que:
– Irá esquecer alguma coisa classificada como boa
– Irá lembrar primeiramente das coisas ruins
 
É só eu ou alguém mais vê uma necessidade de mudança urgente no nosso comportamento perante a vida?
 

Disputa Interna

sábado, agosto 28th, 2010
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Faz algum tempo eu escrevi (acho que mais de uma vez) sobre disputas.
 
Inclusive a minha conclusão (quando o assunto é disputas) é que a melhor maneira de ganhar uma disputar é não disputar. Ou seja, o ideal é deixar quem quer levar os louros da batalha sozinho no pódium.
 
De ontem para hoje estava pensando noutro tipo de disputa. A disputa que travamos conosco mesmo. Uma parte de nós quer algo e outra parte não quer. Aí iniciamos uma disputa dentro de nós e enquanto não há algum vencedor ficamos ansiosos e temerosos com o futuro.
 
Vou ser ousado dizendo que a maioria de nossas disputas ocorrem entre sentimento e razão (pelo menos comigo é assim). Ultimamente eu desliguei (ou diminui muito a intensidade do) meu sentimento. A razão está pesando mais na balança e isto tem me feito muito bem. Fiquei forte novamente. Por enquanto nada me abate ou me constrange porque eu deixo de sentir e vivo a vida com mais racionalidade.
 
Voltei a agir da maneira: Quer me dizer alguma coisa? Seja direto, claro e objetivo porque caso contrário eu não vou entender!
 
Não estou dando direito ao sentimento de conduzir minha vida (não mais). Chegou o tempo da razão, aliás, voltou o tempo da razão pois era ela quem sempre esteve no controle. De uns anos pra cá é que deixei o sentimento assumir o poder. Mas o seu mandato acabou.
 
Bem, quando a razão assume eu fico mais seco para o mundo. Isto é meio óbvio porque eu diminuo a intensidade de minha sensibilidade. Não que vire as costas para as dificuldades alheias (isto de jeito nenhum) mas deixo de sentir junto com a pessoa (que no fim das contas me faz bem).
 
Se eu fico mais seco, deixo de sentir falta das pessoas. Passo a dar muito valor para mim mesmo sem a falsa ideologia que me diz que eu me basto para tudo. Mas passo a reconhecer o meu valor e dar mais atenção a mim mesmo em tudo e em todas as situações. O deixar de sentir falta das pessoas não quer dizer que não goste delas. Não mexi no que eu sinto por ninguém só não dou tanta atenção ao que sinto, mas ainda sinto.
 
Tudo isto me faz bem, fico com os dois pés no chão e senhor de mim mesmo. Nada me controla a não ser eu mesmo e naquilo que é realmente bom para mim.
 
Até quando eu vou ficar assim? Bem. Eu sempre fui assim, tive atitudes diferentes de alguns anos pra cá, mas agora estou voltando a ser o que eu verdadeiramente sou.
 
Mas há uma coisa interessante: Se você não me conhece muito bem nem vai notar diferença. Apenas parei de disputar internamente porque de hoje em diante não existem disputas. Se você não notou nada de diferente é sinal que não me conhece muito bem… rsrsrs
 
 
 
 

Fazendo de Novo

sexta-feira, agosto 27th, 2010
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Como eu prometi ontem, aqui vai uma reflexão sobre uma música de Cazuza que me chamou atenção hoje.
 
Na escola quando não aprendemos temos de repetir o aprendizado. Iremos passar pelas mesmas matérias, fazer os mesmos exercícios, assistir às mesmas explicações durante todo o período para que façamos algo diferente e vençamos a dificuldade.
 
A vida é exatamente do mesmo jeito. Vivemos uma série de problemas e aqueles aos quais não conseguimos aprender teremos de vivê-los novamente. Iremos nos preparar novamente, ver as mesmas coisas, visualizar os mesmos caminhos e com a proposta de fazer algo diferente para que o resultado também seja diferente.
 
Esta reflexão foi inspirada num trecho de uma música:
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
 
E é exatamente isto que me motiva estar no estado de "Piloto Automático Ativo". O meu "modus operandi" eu conheço bem então se eu for raciocinar e ponderar sobre tudo o que me acontece minhas atitudes serão exatamente iguais as de antes (o que não será muito bom para o meu futuro). Aí eu ligo o meu "Piloto Automático" porque ele segue o manual à risca. Sem titubear. Não faz nenhum procedimento fora do que está escrito no manual. Mas os problemas de antes eu vejo acontecendo novamente ("eu vejo o futuro repetir o passado"). Minhas atitudes devem ser diferentes para que eu consiga me vencer.
 
Não quero me entregar sem lutar. Quero ver o meu "museu" com coisas antigas, ou seja, sem surpresas para que não tenha de vivenciar nada que já foi vivenciado antes.
 
Devíamos pensar sempre no que estamos fazendo para corrigir os problemas que já vivemos ao invés de continuar tentando resolvê-los sempre da mesma forma (errada) que sempre fizemos…
 

Epitáfio

quinta-feira, agosto 26th, 2010
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Hoje estava ouvindo uma música da banda Titãs que gosto muito: Epitáfio.
 
Fiquei pensando sobre ela e em como levamos nossa vida.
 
Fiquei lembrando do último abraço que dei em meu filho (foi ontem a noite antes dele ir dormir, rsrs). Fiquei lembrando da minha correria diária e o quanto eu perco com tudo isto.
 
Tudo bem que não é uma perda total, afinal de contas tenho de ganhar o meu "pão de cada dia". Mas as coisas simples da vida estão passando sem que eu perceba.
 
Tem frases da música que me marcam muito pois me remete a fazer coisas simples que eu não permito. Ou simplesmente fazer as coisas que eu quero fazer.
 
Valorizar aquilo que realmente merece valor (não que eu tenha de desvalorizar qualquer outra coisa para isto). Me permitir ver as coisas como elas realmente são (sem nenhuma fantasia ou qualquer mácula), ou seja, encarar tudo com a maior simplicidade possível afinal de contas pra que complicar algo que (por natureza) é simples?
 
Infelizmente só damos valor àquilo que não temos acesso mais. Na música são os desejos e lamentos de quem morreu sem aproveitar as coisas simples que a vida proporciona. Mas neste momento o lamento não adianta mais porque tudo já passou. Acredito que ele terá outras oportunidades, mas nada será igual antes…
 
No fim das contas somos sempre nós conosco mesmo!
 
Estou ouvindo muita música durante o trabalho, hoje foi o dia de ouvir Titãs (como já deu para perceber, rsrs). Amanhã é dia de Cazuza, então provavelmente haverá outro texto de alguma música novamente.

Sofrimento Antecipado

quinta-feira, agosto 26th, 2010
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É interessante observar como as pessoas gostam de sofrer antecipadamente por algo que sequer sabem se vai acontecer.
 
Lembro de um caso de um amigo. Comprou um sapato e o vendedor, por engano, colocou na caixa um outro sapato. Era sábado. Ele chegou em casa a noite e ao verificar o ocorrido começou a tecer toda um plano de ação para convencer o vendedor de que aquele sapato não foi o que ele havia escolhido e que, portanto, deveria ser trocado.
 
Arquitetou diálogos intermináveis, explicações das mais simples às mais complexas, delineou todas as possibilidades que o vendedor e qualquer um que trabalha na loja poderia ter. No seu plano de ação havia a clara possibilidade de:
– Ligar para a Delegacia de Ordem Econômica;
– Ligar para a Polícia e registrar um Boletim de Ocorrência;
– Procurar o PROCON;
– Entrar com uma ação no Juizado de Pequenas Causas.
 
Mas isto depois de gritar com todos, ameaçar todo mundo, ameaçar a publicar uma nota num jornal de grande circulação sobre todo o ocorrido.
 
Bem, passou o resto de seu sábado e todo o domingo pensando nisto.
 
Na segunda-feira ele saiu de casa pela manhã e ao invés de ir trabalhar foi para a loja esperar que ela fosse aberta e começar a novela que ele imaginou.
 
Quando a loja abriu ele procurou a pessoa de lá e disse:
– Eu comprei um sapato no sábado e ao chegar em casa vi que não era o sapato que eu escolhi.
 
A funcionária da loja disse:
– Ah sim! E qual é o sapato que você escolheu?
 
Ele mostrou e ela imediatamente trocou sem nenhuma outra pergunta ou qualquer outro gesto.
 
Obviamente ele saiu de lá com vergonha de si mesmo!
 
É justamente disto que quero dizer neste texto.
 
Quanto tempo perdemos sofrendo por coisas que ainda não aconteceram? O mais curioso é a nossa capacidade de adivinhação. Somos capazes de planejar a nossa vida como se aquilo que pensamos estivesse acontecendo no presente.
 
Que tal se pudermos viver apenas o presente? Aliás, a pergunta é diferente: Os problemas do presente não são suficientemente grandes para nós?
 
A proposta é deixarmos que os problemas do (ou previstos para o) futuro para quando este futuro se tornar presente. Quando o futuro se tornar presente o problema que vislumbramos um tempo atrás pode ter sido modificado pelos acontecimentos normais ou podemos ter tido algum recurso extra que nos tornou suficientemente aptos para encarar o problema sem sofrer. Tudo (inclusive o próprio problema previsto) está no campo das possibilidades.
 
O fato é que encarar uma possibilidade como realidade pode nos trazer grandes prejuízos!
 

Metáforas

sexta-feira, agosto 20th, 2010
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Num texto que escrevi alguns meses atrás eu falava sobre mensagem subliminar. Foi um texto bem interessante pois expressa muita coisa que eu sinto.
 
Estes dias estava pensando em algo similar e vi que a maioria de meus textos daqui do blog tem uma mensagem oculta por trás. Mensagem esta que tenho certeza que ninguém irá decifrar (se eu não der preciosas dicas). Se eu tivesse a intenção de que alguém os decifrasse não dificultaria tanto. Mas eu mesmo tempo quero que a informação esteja ali estampada para mim. É, talvez, uma forma de me afirmar em determinadas questões.
 
São extremamente raros os textos que eu escrevo e que não trazem alguma mensagem oculta. E nem percam o tempo tentando decifrar porque não irão conseguir pois em alguns as idéias estão propositadamente desconexas e em outros levam o (candidato a) intérprete a um caminho sem saída. Em ambas as situações os textos serão lidos e não haverá qualquer conclusão lógica. O mais legal disto tudo é que os textos (fora a questão das mensagens ocultas) tem uma lógica. Ou seja, não são apenas palavras jogadas de uma forma que só quem decifra a mensagem oculta que entenderá. Procuro sempre trazer um texto com algum conteúdo mas que no fundo sempre traz outra mensagem.
 
Eu acho engraçado quando alguém pensa que encontrou o que eu quis dizer. Até hoje não achei ninguém que decifrasse algum de meus textos com exatidão.
 
Este texto é somente para apimentar a curiosidade de uns e outros e explicar de onde sai minhas inspirações para escrever.
 

Piloto Automático

quinta-feira, agosto 19th, 2010
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Eu disse hoje que estou no piloto automático e algumas pessoas me perguntaram o que é isto e se isto é bom ou ruim.
 
Bem, fiquei surpreso com as pessoas me perguntando isto. Como eu não quero escrever uma resposta e copiar e colar o mesmo texto para todos resolvi escrever no blog que é mais prático.
 
Eu gosto muito de analogias com a vida real, muito embora misture um tanto de ficção nela para se adequar ao que realmente penso.
 
Acho que todo mundo já ouviu falar de "piloto automático", não é? As nossas aeronaves são equipadas com este dispositivo que faz um vôo programado. Os mais modernos são capazes de seguir extensas programações repletas de mudanças de rota e de altitude.
 
Quando o comandante de um avião liga o piloto automático é sinal que pode relaxar um pouquinho pois só vai ser alertado caso algo de extraordinário aconteça. É sinal que (se nada sair errado) estarão em boas mãos.
 
Um piloto automático não faz aterrissagens pois é uma manobra cheia de variáveis onde somente um piloto experiente sabe o que fazer e quando fazer.
 
Expliquei (bem mais ou menos) o que é um piloto automático para que entendam como estou.
 
Liguei o meu piloto automático. Isto quer dizer que estou relaxado enquanto tudo anda pelo POP (Procedimento Operacional Padrão). Minhas atitudes são todas tranquilas, afinal de contas eu estou relaxando enquanto o piloto automático está ativo tomando decisões por mim. Confio no meu piloto automático e sei que ele vai me entregar o manche da minha vida quando estiver em solo (o meu piloto automático faz aterrissagens, rsrsrs). Então minha vida está entregue ao meu piloto automático.
 
Acreditem: Eu estou bem. Muito bem mesmo! Só porque minhas reações a tudo e a todos está passando primeiro pelo piloto automático não quer dizer que eu não esteja apto a assumir o controle a qualquer momento. Só não quero fazer isto. Deixa o piloto automático lá no posto dele que tudo vai terminar muito bem.
 
Mais uma vez: Estou bem! Continuo rindo (de tudo e, principalmente, de todos). Continuo brincando. Continuo falando sério quando o momento pede. Enfim, não mudei em nada. Qualquer um que me vê não vai saber que meu piloto automático está ativado. Ou seja, estou normal!
 
 
Abraços,
Marcelo
 

Valor da Vida

quarta-feira, agosto 18th, 2010
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A quantas anda a sua valorização da vida?
 
Já se perguntou isto alguma vez? Se não, é bom perguntar-se e responder sem esquivas (porque esquivar-se de si mesmo é algo doentio!).
 
Como você vê o tempo passando? O tempo arrasta ou voa? Pergunta bem difícil esta! É difícil porque vivemos as duas coisas simultaneamente (muitas vezes) no mesmo dia.
 
Viver a vida (isto foi até tema de novela da Globo). A vida foi feita para ser vivida, então vamos vivê-la na forma mais intensa e responsável possível.
 
É uma fala muito bonita com grandes chances de virar jargão (se é que já não virou). Mas como fazer isto?
 
Logo no começo eu disse que esquivar-se de si mesmo é doentio, apesar do tom de brincadeira reflete um comportamento que temos. O problema é incômodo e eu posso viver mais um pouco com ele sem precisar me movimentar? Ok. Eu pago o preço! Só nos movimentaremos quando estivermos no limite. Isto é viver responsavelmente? Com toda certeza que não!
 
É interessante que não estou falando nenhuma novidade aqui. Todo mundo conhece isto. Parece tão óbvio que chega beirar as raias da idiotia! rsrs… Mas é aquele óbvio que ninguém dá a menor atenção. Prestem atenção no quanto a vida passa sem que tenhamos noção.
 
Parece muito bobo, mas procurem observar os momentos em que ficamos apáticos e quando damos conta passou um tempão sem que tenhamos feito nada de útil.
 
Passar o dia inteiro lendo um livro é muito bom. Passar o dia inteiro vendo filmes não é tão bom assim. O que eu quero dizer é que a vida é um palco de oportunidades para aprendizado e ignorar isto não é muito legal. Olhe a sua volta e veja a quantidade de informações disponíveis (e desconhecidas) que temos a nossa disposição. Mas é coisa que normalmente passa despercebido aos olhos apressados de todo mundo.
 
Tem um exercício que é proposto num livro do Paulo Coelho (acho que no livro "O Alquimista", salvo engano) que consiste em percorrer (andando) o menor espaço no maior tempo possível. É gastar o maior tempo possível para percorrer o menor espaço. Isto nos obriga a observar o nosso redor várias vezes e a treinar nossa paciência. A regra é sempre clara: Não está com pressa? Então pra que andar rápido? Aproveite a vida, aproveite o tempo.
 
Tenho uma experiência pessoal para contar: Foi quando fui atender um cliente (de ônibus) fora de Belo Horizonte (onde moro) e de lá tive de ir para outra cidade. O procedimento padrão era retornar a Belo Horizonte e daqui ir para a outra cidade. Mas como sou muito esperto, olhei no mapa e vi que as duas cidades eram próximas. Então tomei a decisão de ir direto. Tomei um ônibus para uma cidade que fica no meio do caminho pois não havia ônibus direto. Chegando nesta cidade tive a surpresa de que só haveria ônibus (um único horário) no dia seguinte as 5 da manhã. Até aí nenhum problema. Dormi na cidade. Saí do hotel as 4 da manhã (mineiro não perde o trem e nem o ônibus). Ao entrar no ônibus perguntei ao motorista o horário previsto para chegada. Meu queixo caiu quando ele me disse que o horário previsto era as 17 horas. COMO ASSIM????? Bem, eu não tinha nada a fazer senão conformar. Fui para a última poltrona do ônibus, peguei um bom livro que tinha começado a ler e nem vi o tempo passando. Foi uma viagem divertida. Foi interessante ver cada cidade que ele parou para embarcar e desembarcar passageiros. Cidades minúsculas e que talvez nem figurem nos mapas. Cheguei no meu destino as 18 horas.
 
Foi um tempo que eu soube aproveitar. Ao invés de ficar lamentando eu li um livro (li todo o livro nesta viagem).
 
Como estamos vivendo nossos dias? O que temos feito de útil? O que temos aprendido? E, principalmente, o que temos deixado de aprender?
 
Observem! A vida corre maravilhosa fora do nosso mundo! Quando foi a última vez que viu o por do sol?
 

Beneficência

segunda-feira, agosto 16th, 2010
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Ontem estava falando sobre a beneficência. Comparando com a obrigação.
 
A obrigação é fazer aquilo ao qual somos pagos. É a parte profissional. A beneficência vai além disto, pois é o ato de nos colocarnos no lugar da outra pessoa e fazer o que gostaríamos que nos fosse feito.
 
Um enfermeiro, por exemplo, é pago para cuidar do paciente seguindo os protocolos determinados pela enfermagem e pela orientação médica. Fazer isto é a obrigação pois este é seu trabalho, para isto está sendo pago. Adicionar a esta obrigação um sorriso, gentileza, conforto, boa vontade é ir além da obrigação. Aí está a beneficência. Falei da enfermagem, mas isto se aplica a todas as áreas profissionais. Sempre é possível nos colocar na pele do outro e dar o nosso melhor.
 
Eu chamo isto aproveitar oportunidades para sermos melhores. Podem haver outros nomes para definir esta atitude, mas qualquer que seja sempre irá esbarrar na beneficência que é, ao meu ver, um braço (ou uma demonstração) de amor ao próximo.
 
Devemos ter em mente que oportunidades para fazermos o que temos de melhor não se repetem (pelo menos na mesma configuração). As vezes estamos no lugar certo e na hora certa. Se perdermos a oportunidade não saberemos quando outra aparecerá.
 
Ao mesmo tempo temos o direito de refutar as oportunidades que nos são apresentadas (sob os mais diversos pretextos e desculpas). Só devemos ficar atentos que quando a oportunidade de sermos felizes depende de atitudes de outras pessoas a coisa complica um pouquinho mais pois se nossas atitudes não estiverem estreitamente ligadas a tudo podemos nos perder. Estas oportunidades dificilmente voltam sem alguma dor ou sofrimento. O que acontece é uma troca por causa de prioridades que nós mesmos estipulamos. Aí damos mais atenção a uma coisa do que a outra e neste interim a vida passa sem que percebamos.
 
Temos na mente uma frase antiga que virou moda dizer: "Eu tenho direitos" ou "Eu exijo meus direitos". A pessoa fala esta frase, fecha os olhos e atropela o mundo achando que está certo.
 
Sim, nós temos direitos. Mas devemos lembrar que os outros também tem. E se nossas atitudes forem baseadas neste nosso "direito" os outros poderão fazer o mesmo. E o que antes era simples torna-se complicado.
 
Considero que a chave para as atitudes corretas é a paciência. Mas é bom lembrar que o mundo não está a nossa disposição, que a vida vai andar independente de nossa vontade, que as pessoas irão tomar atitudes melhores para si próprias (muitas vezes baseadas em nossas atitudes). A vida é assim. Tudo interligado e tudo solto ao mesmo tempo. Nos baseamos nos outros para viver ao mesmo tempo em que nossa vida é independente.
 
Não vamos nos prender a ninguém mas ao mesmo tempo podemos ser felizes com alguém. Se este alguém não aparece (ou não está disponível) outro alguém aparece. Existem perdas? Não sei responder. Tudo depende de quem vive e de como encara tudo.
 
E onde entra a beneficência em tudo isto? Nas nossas reações a cada acontecimento. Existem reações normais e reações positivas. Vamos sempre usar o nosso bom senso e agir mediante os fatos que se apresentam no momento de decidir. Vamos optar por nossa felicidade independente da decisão de outras pessoas mas sempre nos colocando no lugar delas e nunca exigindo delas atitudes que não temos capacidade de tomar. Isto é se colocar na pele do outro…
 

Decepções

terça-feira, agosto 3rd, 2010
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Quem nunca sofreu por uma decepção na vida? É claro que todos nós já passamos por esta situação desagradável.
 
Qual é o remédio para a decepção? Não existe! Não há como moldar o comportamento dos outros (mal conseguimos moldar os nossos comportamentos, que dirá dos outros). Então iremos nos decepcionar sim! E muito.
 
Na verdade eu até torço para que eu me decepcione muito pois isto, para mim, é o sinal claro que nunca deixei de confiar nas pessoas. O dia que eu não mais me decepcionar vou saber que minha confiança no ser humano diminuiu (ou acabou). Vou sempre esperar que as pessoas tomem as melhores atitudes, vou sempre esperar que as pessoas cumpram as promessas que fizeram, vou sempre esperar que as pessoas ajam positivamente e dentro daquilo que se propuseram. Isto, na minha opinião, é acreditar no ser humano. E eu acredito!
 
Deixar de acreditar nas pessoas significa que vou viver desconfiado de tudo e de todos. Vou sempre achar que tem alguém querendo me passar a perna. Vou sempre pensar que todos estão esperando apenas uma brecha de minha parte para me prejudicar. Sinceramente não acho que isto seja uma maneira saudável de viver.
 
Por isto não vou deixar de acreditar no ser humano. Sempre vou me surpreender com as coisas que as pessoas fazem (comigo ou com outras pessoas).
 
É claro que a decepção gera uma repulsa incrível contra a pessoa que nos decepcionou. Afinal de contas alguém que tinha a nossa confiança, de uma hora para outra, passar a não ter é uma mudança muito radical e difícil de administrar. O ato de cortar um laço que antes era forte (senão não haveria decepção alguma) é sempre traumático e as vezes leva tempo.
 
Mas é bom termos em mente que o tempo passa, que o calor da situação vivida esfria, que o sentimento (ruim) que tínhamos durante o momento difícil se esvai e que passamos a encarar tudo como mais naturalidade. Qual o tempo que isto leva? Não sei! Isto varia não só de pessoa para pessoa, mas (principalmente) com o grau de confiança que tínhamos com quem nos decepcionou.
 
É difícil consertar uma relação confiança quebrada. A quebra de confiança produz marcas que podem ser tão profundas quanto o valor que dávamos para o relacionamento.
 
Mas tem um lado que devemos nos preocupar muito mais. Devemos ter uma preocupação grande em não decepcionar. Se já sofremos uma decepção alguma vez na vida sabemos o quanto é ruim, portanto, não devemos ser nós a decepcionar alguém. Pior do que ser decepcionado é (sem sombra de dúvida) decepcionar.
 
E o que podemos fazer para não decepcionar? Em primeiro lugar ser verdadeiro em tudo desde o começo. Se não gosta diga que não gosta. Se sente inseguro diga que sente inseguro. Se tem preocupações que envolvem outra pessoa, deixe-a informada. Cuide para que não tome atitudes inversas num curto espaço de tempo (agir de uma forma hoje e amanhã agir num outro extremo nunca é de bom alvitre).
 
Gosta que as pessoas sejam transparentes com você? Então faça a sua parte e seja também! As chances de você decepcionar alguém sendo transparente são mínimas.
 
Lembre-se que a maioria das decepções são frutos da imaturidade aliada à impulsividade nas atitudes.