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Disputas

segunda-feira, agosto 2nd, 2010
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Podemos dizer que isto é uma paixão nacional, afinal de contas, todo mundo que conhecemos disputa alguma coisa.
 
Existem disputas sadias e disputas que nos causam mal. É fácil diferenciá-las, todo mundo sabe perfeitamente como diferenciar uma da outra.
 
Mas existe um tipo de disputa que é aparentemente sadia ou (no pior dos casos) as vezes nem parece que é uma disputa.
 
É importante delinear isto muito bem dentro de nós mesmos para não nos pegarmos em disputas sem sentido.
 
Vamos caracterizar algumas coisas para ficar mais claro. É comum ver disputas entre casais (namorados ou casados), entre pessoas da mesma empresa, entre amigos, entre irmãos, entre parentes (de uma forma geral), etc.
 
Em algumas vezes é uma disputa solitária, onde apenas uma pessoa está disputando e o seu paradigma nem tem conhecimento disto. Ou seja, alguém está vivendo sua vida normalmente e outra pessoa cisma que tem de ser melhor em algum quesito. Aí começa a disputa sem nenhum sentido.
 
A única pessoa com quem eu tenho de disputar ferrenhamente é comigo mesmo em meus limites. De resto eu tenho de ficar atento em motivos para expandir meus limites.
 
Mas o que acontece não é bem isto. Afinal de contas é bem mais fácil disputar com os outros do que conosco mesmos, não é?
 
Gosto de ilustrar com exemplos reais (apesar de saber que cada um possui um). É claro que vou trocar os nomes para não comprometer ninguém.
 
João é um homem simples. Vive uma vida sem muitas regalias financeiras mas também sem muito aperto. Resultado de um controle que vem fazendo em sua vida ao longo de muitos anos. Depois de adulto nunca passou fome. É casado e pai de três filhos. Luta com as contas para manter os filhos estudando e ter um certo controle dentro de casa. O Antônio é seu vizinho. Trabalham na mesma empresa e ocupam cargos similares, o que garante aos dois mais ou menos o mesmo salário. Antônio também é casado e tem três filhos. Teoricamente ambos possuem as mesmas condições financeiras.
 
João, com suas economias feitas ao longo de vários anos, adquiriu um carro. Não é o carro de seus sonhos, mas é um carro bom que vai atender as necessidades da família. Antônio se revolta com isto, pois ele não tem como comprar um carro e fica sem entender como é que o João conseguiu comprar um e ele não. Indignado Antônio vai a uma loja e financia um carro, mas não podia ser um carro igual ou pior do que o carro de João: Tem de ser um carro melhor! Compra um modelo mais novo, com mais opcionais e faz questão de mostrar ao João, que olha o carro, admira, elogia e pronto. Antônio fica satisfeito, afinal de contas ele ganhou! E aí entra a pergunta: GANHOU O QUE???
 
Mais um exemplo.
 
Renata e Paulo são casados. Algumas vezes eles divergem de opiniões. E nesta divergência ambos disputam a razão e, principalmente, quem dá a última palavra. Quando a conversa está num volume baixo é sinal que tudo está bem, mas com o passar do tempo (pouco tempo) o volume vai aumentando como se quem falar mais alto é o vencedor desta tolice. Renata não argumenta em defesa de sua "tese", mas começa apontar defeitos de Paulo para desmerecer a sua opinião no assunto. Paulo começa a fazer o mesmo pois afinal de contas ele foi "desonrado" com o fato de que sua esposa está apontando seus defeitos.
 
Já não é mais um simples debate. Virou briga. Se algum deles tiver a brilhante idéia de parar e perguntar: Por qual motivo estamos brigando? Certamente irão ver que o motivo é super idiota. Mas certamente a resposta para esta pergunta será as ofensas que foram desferidas durante o processo de um tentar convencer o outro que a sua opinião é a certa!
 
Nunca pararam para pensar que nem sempre quem calar é aquele que perdeu a discussão.
 
A melhor forma de ganhar uma disputa é sempre não disputando!
 
No exemplo de João e Antônio ficou super claro que o vencedor de tudo foi João que em nenhum momento disputou coisa alguma. Não precisou desgastar-se com o que quer que seja. Já no exemplo de Renata e Paulo, seja lá quem "ganhar" a discussão o resultado é que ambos perderam (paz, sossego, tranquilidade conjugal, etc).
 
Vou falar novamente para fixar: A MELHOR FORMA DE GANHAR UMA DISPUTA É NÃO DISPUTANDO!