Archive for abril, 2011

Qual o seu pedido?

segunda-feira, abril 25th, 2011
genio.jpg

Quando adolescente eu sonhava em encontrar uma lâmpada mágica. Aquela mesmo que o Aladim encontrou.
 
Na época eu achei que o Aladim era burro, porque se eu acho uma lâmpada daquela e o Gênio me concedesse três desejos o meu primeeiro desejo seria:
– Ter desejos infinitos.
 
Pronto… Teria o Gênio como meu escravo eterno!
 
Tinha sonhos de ter uma dupla de guarda-costas (daqueles que botam medo no Sylvester Stalone). Eu ia mexer com todo mundo na rua e ninguém poderia sequer me olhar torto.
 
Teria rios de dinheiro, carros e tudo mais que a minha imaginação pudesse criar. E olhe que eu tenho uma imaginação bem fértil!
 
Mais tarde minha opinião mudou. Eu vi um filme na TV em que uma pessoa encontrou um Gênio que lhe concedeu os mesmos três pedidos (mais uma vez o protagonista foi burro em não escolher os desejos infinitos). Bem, o primeiro desejo dele foi:
– Quero paz na Terra!
 
O Gênio não teve dúvidas. Tirou todo mundo da Terra e só deixou ele.
 
Aí ele gastou o segundo desejo para voltar tudo ao que era antes. E quando foi reclamar com o Gênio este lhe perguntou:
– O que você queria? Que eu modificasse o coração de cada pessoa? Mas quem seria o parâmetro? Seu pedido foi muito incompleto.
 
O Gênio estava certo. A única forma de dar a paz que seu mestre queria era deixando ele sozinho.
 
Mas ainda restava um desejo… Então a pessoa começou a redigir um longo texto explicando exatamente o que queria com uma riqueza enorme de detalhes. Tudo para não haver dúvidas. Só que na hora de entregar o pedido (por escrito, claro) ao Gênio, ele pensou melhor e desejou simplesmente que o Gênio nunca mais atendesse pedidos de ninguém.
 
Foi, na minha opinião, o pedido mais inteligente possível.
 
Conjugando isto com uma fala de um grande amigo ("a melhor forma de conseguir as coisas que quer é trabalhando") eu vi que aquele sonho adolescente era pra lá de imaturo. Se realmente a situação acontecesse não ia ser feliz. Poderia me divertir no começo, curtir a farra mas com pouco tempo faltaria algo de suma importância: Amigos. Falo daquelas pessoas que não tem nenhum interesse que não seja apenas a sua companhia (porque gente interessada apenas no dinheiro ou nas facilidades que eu puder criar vai ter aos montes).
 
Mas mais do que isto, vi que é perigoso (para mim mesmo) que meus desejos se tornem realidade. Com toda certeza vou me perder se o meu desejo de achar um bilhete premiado na megasena acontecer (digo achar o bilhete porque eu não jogo, rsrsrs).
 
Não dá para admitir a idéia de montar minha felicidade em algo tão volátil assim.
 
Então se hoje eu encontrar um Gênio e este me perguntasse qual são os meus três pedidos, com toda certeza eu diria:
1. Quero te ver vestido de baiana (não ia perder esta oportunidade, rsrsrs)
2. Quero um queijo
3. Quero outro queijo
 
(Só não pediria três queijos porque ia ficar com vergonha)
 

Seu Pedido É Uma Ordem (?)

quarta-feira, abril 20th, 2011
 chefe_empregado.jpg
Já pararam pra pensar o que diferencia um pedido de uma ordem? Eu já! rs
 
Muitos dizem que a diferença é enorme. Classificam o pedido como algo suave e a ordem como algo grosseiro. Em princípio não estão errados, mas também não estão certos.
 
Um pedido pode ser (as vezes) interpretado como uma ordem. Isto vai depender de vários fatores:
– A entonação de voz de quem pede
– A relação de empatia entre quem pede e a quem se pede
 
A relação de empatia eu diria que é um dos principais fatores que transformam um pedido numa ordem. Receber um pedido de alguém que não gostamos ou que não somos simpáticos o mesmo soa como se fosse um exemplo de grosseria. Até consideramos um absurdo a forma como a pessoa falou (e foi só um pedido).
 
Os grande líderes (grandes em sabedoria, diga-se de passagem) sempre pedem com doçura e sempre agradecem por ter sido atendido. Com certeza se a pessoa se recusar ele vai ordenar e o que antes era um mero pedido passa a ser uma ordem.
 
Mas não é minha intenção analisar o que se passa no âmbito profissional e sim nas questões pessoais.
 
Como são os nossos pedidos para as pessoas que dividem o mesmo teto que nós?
 
Devemos ser caridosos ao pedir pois existem pedidos que fazem com que a pessoa solicitada sofra ou se desgaste para atender ao nosso pedido. Então até para pedir nós devemos ter cuidado.
 
E a formulação do pedido deve ser tal que o nosso solicitante não pode se sentir obrigado a nos atender (vamos lembrar que um pedido admite pelo menos duas respostas: Sim ou Não). Se ele sentir-se obrigado, deixa de ser pedido e vira ordem.
 
Entre pessoas amigas não deveria haver ordens, mas somente pedidos.
 
Tudo isto que estou escrevendo é porque não é agradável receber ordens, principalmente vindas de pessoas com quem convivemos. O que não é bom pra gente não é bom para os outros também. Portanto, que não sejamos nós a dar as ordens.
 
Mesmo que tenhamos todo o direito do mundo de dar ordens podemos facilmente converter estas ordens em pedidos. Basta, para isto, moderar o tom de voz e construirmos um tom amigo valorizando as pessoas e nos colocando no mesmo patamar (porque quem dá ordens se coloca num patamar supostamente superior).
 
Sem contar que quando agimos desta forma conquistamos amigos ao invés de subordinados (o que é muito melhor).
 

Posicionamentos

segunda-feira, abril 18th, 2011
regua.jpg

Lemos na cartilha da vida que devemos procurar fugir dos extremos. Mas nesta cartilha não explica onde, exatamente, são os extremos.
 
Se nos consideramos errados agindo de uma forma, não vai adiantar muito se formos para o outro extremo. Mudanças radicais tendem não ser duradouras. Nunca acreditei em mudanças radicais. Podem até ser úteis, mas não são duradouras (nunca questiono a utilidade delas, apenas o tempo de duração). Uma mudança radical é semelhante a uma chuva de verão, num momento um sol muito quente e no outro uma chuva torrencial que dura apenas 15 minutos, mas o tempo continua quente (a chuva de verão transforma o tempo de sauna seca para sauna vapor). A chuva que muda o clima é aquela fina e constante.
 
Então sempre buscamos agir pelo meio (nem tanto para um lado e nem tanto para outro) buscando o equilíbrio sempre. É claro que esta reta com os extremos e o meio é sob a nossa ótica. A reta da vida alheia não serve para nós porque não dispomos de todos os elementos para avaliá-la corretamente. Não nos cabe nunca julgar, se assim fizermos corremos o risco (que é uma probabilidade que beira os 100%) de estarmos errados em nosso julgamento. Como eu disse antes, não dispomos de todos os elementos da vida alheia.
 
Mas vamos voltar para a análise de nossa reta que é o mais importante.
 
Avaliamos nossas atitudes e nos reconhecemos agindo por um extremo qualquer. A nossa atitude imediata é ir para o outro extremo. E isto é muito útil pois só saberemos onde é o meio se conhecermos toda a extensão da reta (só sabemos que o meio de uma régua é 15cm se soubermos que a régua mede 30cm). Então não podemos nos culpar de ao agirmos de forma extremada passar a agir também de forma extremada e no sentido inverso. Estamos conhecendo os limites para determinar onde é o equilíbrio.
 
O fato é que não sabemos qual é o caminho correto. Só conhecemos quais são os caminhos errados pois estes são frutos de nossa experiência.
 
Ok. Avaliamos nossa reta, saímos de um extremo e fomos para o outro. Depois passamos a agir de forma equilibrada. Que ótimo!
 
Com algum tempo nossos valores mudam, nosso ponto de vista muda, ganhamos mais maturidade, perdemos nossa infantilidade (infantilidade que significa pouca experiência para a vida) e vamos avaliar novamente a mesma reta. O que antes considerávamos uma atitude equilibrada agora, sob o novo ponto de vista que adquirimos, é mais uma vez uma atitude extrema. E o processo todo se repete (iremos para o outro extremo e depois buscaremos o meio). E isto vai se repetir tantas vezes quanto for necessário. O mais importante é que estas análises representam um crescimento incrível. Saímos de onde estávmos e crescemos.
 
A chave disto tudo é o senso de autocrítica sem exageros (não é necessário culpar-se por coisa alguma, apesar de ser necessário assumir as responsabilidades).
 


Seja bem vindo(a)

domingo, abril 17th, 2011
coracao_pedra.jpg 

Existem pessoas que sempre nos tocam o coração. Eu digo que cada uma das pessoas que eu digo que gosto tocou o meu de uma forma diferente.
 
Mas há uma enorme diferença entre tocar o coração e entrar nele. A entrada de um coração está restrita a pessoas especiais. Aquelas dotadas de qualidades especiais às quais sempre admiramos.
 
O interessante é que estas pessoas chegam até nós de uma forma totalmente inesperada e (as vezes) inusitada. Mas chegam nos pegando desprevenidos (porque sempre temos o hábito de não permitir que as pessoas entrem em nosso coração) e acabam atingindo o nosso ponto fraco.
 
É interessante permitir a estas pessoas especiais total liberdade dentro de nosso coração. Elas tem de ser livres para sair se quiserem e não serem importunadas por nós com pedidos para voltar. Pessoas livres são mais felizes e se estas pessoas se sentem livres para ir e vir de nosso coração sempre acabam ficando justamente pela liberdade que sabem possuir.
 
Acima de tudo devemos alimentar o interesse destas pessoas para permanecerem em nosso coração. Já que não a impediremos de sair, se quiserem, então é importante que elas se sintam interessadas em permanecer.
 
É bom lembrar que são pessoas especiais que estão em nosso coração, então como tal devem ser tratadas. Tudo de bom e do melhor. Temos de nos esforçar sempre por elas, pois afinal de contas merecem.
 
Sabem o que é o mais legal de tudo isto? É que se estas pessoas estão dentro de nosso coração como especiais nós também podemos estar (igualmente) no coração delas como, também, pessoas especiais e recebendo tratamento VIP.
 
 

Joãozinho e Maria

quinta-feira, abril 14th, 2011
joao_e_maria.jpg

 

Bom, aí vamos nós com mais uma historinha infantil.
 
Pra quem não se lembra vou resumir aqui.
 
Um lenhador vivia com a esposa e dois filhos (João e Maria). Detalhe, a esposa não era a mãe dos meninos, era a madrasta (sempre a madrasta).
 
Era tempos de vacas magras e eles estavam passando necessidade (coitados, não sabiam plantar). Aí a madrasta teve uma brilhante idéia: Diminuir o número de bocas para alimentar…
 
A idéia foi tosca. Levar os dois floresta adentro e soltá-los lá.
 
O problema é que os dois moleques ouviram a conversa toda. Então o João ajuntou um monte de pedras e quando foram chamados pela manhã, ganharam um pedaço de pão velho e o pai foi levando eles para a floresta. Só que no caminho o João foi jogando as pedras de forma que o caminho ficou marcado para garantir a volta segura.
 
Ok. A noite eles voltaram são e salvos.
 
O pai ficou feliz com o retorno, mas a madrasta não. Então trancou os dois num quarto e falou para levá-los mais longe ainda. Pela manhã deu a eles pão de novo. Mas o João não tinha mais pedras. Então teve uma idéia brilhante: Marcou o caminho com pedaço de pão…
 
Passarinho é um bicho safado que não respeita pedaço de pão no chão, comeram todos os pedaços. Então não havia mais a trilha para seguir.
 
Resultado: Eles não conseguiram achar o caminho de volta e ficaram perambulando pela floresta. Acharam uma cabana feita de chocolate, doces e biscoitos. Menino adora doce, então se esbaldaram. Comeram muito. Apareceu uma simpática senhora que os convidou para entrar e comer mais. Eles foram. Foram sedados e o João acordou dentro de uma jaula. Maria ficou como escrava da senhora que na verdade é uma bruxa.
 
A bruxa devia estar de saco cheio de comer só doce e queria carne. Então o plano dela era comer os dois (um assado e o outro ensopado). Só que o João era meio magrinho, afinal de contas não tinha muito o que comer onde ele morava. Então a bruxa decidiu engordar o João primeiro. Só que a bruxa não enxergava direito, aí todo dia apalpava o dedo do João para ver se estava gordo. O João mostrava a ela, ao invés do dedo, um osso de galinha. Então ela sempre achava que ele estava magro.
 
Num belo dia ela decidiu que ia comer o garoto daquele jeito mesmo, afinal de contas ela devia estar de dieta, comer gordura não faz bem ao coração. Mandou Maria preparar um caldeirão com água para ferver e disse que ia assar um pão. Acendeu o forno e pediu para Maria ver se o forno estava quente. A Maria que não é muito boba disse que não sabia olhar isto. A bruxa foi demonstrar e aí Maria a empurrou para dentro do forno e fechou, matando a bruxa carbonizada.
 
Nem preciso dizer que eles se esbaldaram! Comeram tudo do bom e do melhor e encontraram uma pequena riqueza que levaram com eles. Depois de muito andaram conseguiram reconhecer o caminho e foram até a sua antiga casa. O pai estava choroso porque a madrasta havia morrido de fome, mas ficou muito alegre em vê-los.
 
Com a riqueza que eles traziam não seria necessário preocupações com comida…
 
E foram felizes para sempre!
 
 
Bem, a história que é contada para as crianças acaba aqui… Não dá para não analisar esta historinha e tecer alguns comentários.
 
Toda história infantil tem um pai que é um banana. Que falta de criatividade, viu? O cara só sabia cortar árvore. Aí viu que as coisas não estavam rendendo e não tomou providência nenhuma? Que cara mais burro…
 
Vamos ignorar isto… Vamos para a próxima…
 
A sua esposa propõe uma coisa tosca e ele aceita, comprovando sua burrice.
 
Seu filho é esperto, arrumou uma forma de voltar para casa com as pedrinhas espalhas pelo caminho para fazer uma trilha.
 
Mas uma coisa fica sem explicação. Como é que ele conseguiu levar os filhos para a floresta pela segunda vez? Eles foram amarrados? Porque ninguém ia aceitar isto sem resistência. Ou será que foram hipnotizados? Ou então eles estavam brincando de seguir o mestre com o pai e no meio da floresta brincavam de esconde-esconde. É só assim para o pai conseguir escapar sem eles perceberem. Esta ficou sem explicação mesmo.
 
E outra: O João, ao mesmo tempo que foi inteligente marcando o caminho com pedras, foi extremamente burro marcando com pão. É claro que pão é comida e animais da floresta COM TODA CERTEZA irão comer. Ele não pensou nisto, porque se tivesse pensado seria mais inteligente guardar o pão para ele mesmo comer.
 
Tá bom. Mais uma coisa que engolimos. Vamos em frente.
 
Encontraram uma casa feita de doces, chocolates e biscoitos. Isto é a mais pura e deslavada mentira que já puderam inventar numa história infantil. É a coisa mais ridícula que já li em toda minha vida. Se isto fosse verdade a casa seria feita de doces, chocolates, biscoitos e FORMIGAS. Falei em formiga para ser generoso, pois (lembrem-se) a casa está no meio da floresta e qual animal não gosta de um doce? Ok. Vamos imaginar que a bruxa lançou um encanto para que nenhum animal ou inseto se aproximasse dali (notem que não é implicância de minha parte, eu até tento arranjar uma explicação plausível dentro do contexto da história).
 
A bruxa apareceu e deu um jeito de prender o João. A Maria não ia largar o irmão e mesmo porque a inteligência dela não permite que ela vá muito longe se conseguisse fugir. Então é melhor ficar e ajudar o irmão mesmo.
 
A bruxa não enxergava direito. Ponto negativo pra ela. Que fizesse um encanto para que enxergasse melhor, ué! Que raios de bruxa é esta??? Mas tudo bem…
 
Queria comer o garoto quando ele estivesse gordinho, então checava a sua massa corporal pelo dedo… COMO ASSIM???????? Será que ela não conhece barriga, bochecha, braço e perna? Mas sempre olhava pelo dedo. E o João mostrava um osso de galinha no lugar do dedo. É curioso que ela nunca estranhava que o moleque comia feito um pato e nunca engordava. Ou tinha muito verme (aí não valia a pena comê-lo, porque seria como comer uma goiaba com bicho), ou estava doente (também não valia a pena comê-lo, senão ia pegar a mesma doença) ou ele a estava enganando (o que era mais plausível). Mas, a velha queria ser enganada, né? Tudo bem… Se ela quer…
 
Uma coisa que achei interessante: A Maria mata a velha e os dois roubam seus tesouros. Isto tem um nome: Latrocínio (roubo seguido de morte, ou vice-versa). Leva pelo menos 30 anos de cadeia! Ninguém pensou nisso, né? Pois é… eu pensei!
 
Mas vamos imaginar que o tesouro dela era constituído de diamantes raríssimos e fáceis de carregar, pois eram duas crianças, então não dá para carregar um baú (por exemplo).
 
Eles saíram andando a esmo e… ohhhhhhh… descobriram o caminho de volta!!! Que enorme coincidência!!!!
 
Chegaram na velha cabana e o pai estava lamentando a morte da esposa (madrasta) que morreu de fome. O cara é realmente incapaz de sustentar a família. Abraçou os filhos e estes deram os tesouros que pegaram da bruxa.
 
A história termina com o velho "e foram felizes para sempre"… Mas com tudo isto que vimos não há a menor possibilidade de felicidade neste final.
 
O pai é um vagabundo, não gosta de trabalhar. Isto é fato. Com dinheiro no bolso com certeza iria se enveredar pela bebida, boteco, farra, etc. Com certeza ia colocar dentro de casa uma mulher tal qual a anterior. Provavelmente a próxima mulher ia adotar métodos mais eficazes para "eliminar" os filhos e se ela for inteligente vai tudo parecer uma acidente.
 
Mais uma história que engolimos quando éramos crianças… Interessante como não pensamos nisto quando éramos crianças.. Eu até cheguei a questionar como a casa de chocolate não era comida por animais, mas tive como resposta algo parecido com: "Não sei, só sei que foi assim".
 

Melhorias – Urgente

quarta-feira, abril 13th, 2011
 flores.jpg
Como sempre, tem dias que sentimos que não somos boas companhias. São aqueles dias em que nos reconhecemos chatos e que nada vai nos modificar.
 
Qualquer lado que eu olhe tudo parece fora do lugar. Isto causa uma irritação que é difícil definir.
 
Basta perceber alguém agindo de forma errada para tecer um livro de críticas (recheadas de palavras grosseiras e as vezes impronunciáveis). Mas ainda bem que este livro fica só na mente mesmo e não é exposto.
 
Existem momentos especialmente únicos em nossa vida. Aqueles em que somos chamados para modificar o teor dos pensamentos. Nos fazem ver que embora estejamos chatos existem pessoas que se preocupam e que estão por perto.
 
Então mesmo que tudo esteja (aparentemente) conspirando para o nosso mal estar é bom lembrar que estamos rodeados de boas pessoas interessadas apenas (e tão somente) em nosso bem estar.
 
Basta fazer aquilo que cabe unicamente a nós: Estender a mão em busca de ajuda. Afinal de contas ninguém poderá adivinhar coisa alguma se não dissermos.
 
Mas ainda tem uma parte que todo mundo reclama: Esforçar para a própria melhoria. Quando é uma doença física tomamos um remédio e tudo volta ao normal. Mas quando é algo psíquico precisamos de esforço. Nada sem esforço iremos conseguir.
 
Aprendemos que toda ação gera uma reação, está escrito mais ou menos assim numa das leis de Newton. Só que em se tratando de problemas psíquicos isto não vale (quando o sentido é a melhoria). Temos de gerar a reação salutar e isto teremos de fazer nós mesmos.
 
É bom não nos esquecermos disto porque sempre agimos de forma recorrente repetindo velhas atitudes imaginando que teremos resultados diferentes.
 
Usar o raciocínio sempre será uma boa saída. Se muitas vezes agimos impensadamente, se quisermos (finalmente) acertar teremos de pensar antes de agir.
 
Meu convite aqui é bem simples: Raciocinar antes de agir. Ontem já passou e amanhã ainda não chegou. Vamos viver o hoje (SEMPRE).
 

Água mole em pedra dura…

quarta-feira, abril 13th, 2011
insistencia.jpg

 

"Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Ditado popular bem interessante, mas eu prefiro uma variante dele que é: "Água mole em pedra dura, tanto bate até que a água acaba".
 
Certas coisas não mudarão pelo simples fato de sermos insistentes. Irão acontecer de um jeito ou de outro. O que vai mudar é que não mais teremos paciência ou argumentos para persistirmos.
 
O combustível da insistência é a esperança. Enquanto houver um fio de esperança nós estaremos lá insistindo. Na outra extremidade temos fatores desgastantes. O principal deles é o sofrimento. O sofrimento é o custo da (ou o valor pago para) insistência.
 
Na contabilidade da insistência o saldo não pode ser negativo, porque se for queima o combustível. Com pouco tempo não haverá mais combustível para a insistência.
 
O mais importante disto tudo é a avaliação contínua do quanto estamos gastando nas nossas insistências. Fazer um balanço periódico nesta contabilidade toda. Se, em nossa avaliação, o valor pago está consumindo o combustível principal é necessário uma ação corretiva o quanto antes.
 
Se nenhuma ação corretiva for tomada, toda a esperança será consumida e com isto iremos parar de insistir. Parando de insistir e sem esperança iremos ficar abertos para outras possibilidades (o que pode ser bom). Mas o principal efeito negativo é uma repulsa incrível que teremos pelo que almejávamos e não conseguimos. Esta repulsa é o espólio do sofrimento. Sempre iremos associar aquele objetivo com tudo o que sofremos (em vão) para consegui-lo.
 
Qual é o ideal? Canalisar nossas esperanças em algo que não nos faça sofrer nem tão pouco insistir muito. Tudo o que nos custa muita insistência certamente não é bom para nós pelo simples fato de estarmos violentando algum direito de outra pessoa.
 
Pensemos nisto e (principalmente) nos coloquemos no lugar do objeto de insistência…
 

Check List

quarta-feira, abril 6th, 2011
check.jpg
Algumas coisas que não deveríamos esquecer:
 
  1. As pessoas que nos são importantes não nos consideram na mesma importância.
  2. Não adianta tentar mudar a cabeça dos outros. Nunca iremos conseguir isto.
  3. Violência e grosseria nunca foram soluções para qualquer problema (não acreditem em mim, olhem a história).
  4. Amor não se explica, se sente. Só tenta explicar quem não sente.
  5. Nossos valores não são valores dos outros. Então não adianta tentar fazer com que os outros dêem valor ao que você também dá.
  6. As pessoas que você mais gosta sempre irão te decepcionar (de uma forma ou de outra).
  7. Não importa o quão fundo seja o buraco que você caiu, sempre vai conseguir sair dele.
 
 

Novas Mudanças

quarta-feira, abril 6th, 2011
mudar.jpg
É muito interessante quando passamos de uma fase para outra. Mas é mais interessante ainda quando percebemos esta mudança porque aí podemos avaliar (com uma maior precisão) os benefícios das mudanças com vistas a pequenos (ou grandes) ajustes para melhor adequação de nossa vida ao que chamamos de normal.
 
Vou comentar aqui como eu estava e como estou apenas com a intenção e esperança de que tudo isto possa auxiliar quem porventura esteja transitando pelo mesmo processo.
 
O ano de 2010 finalizou e próximo das festas de fim de ano estava me sentindo meio sufocado por alguns de meus comportamentos e algumas de minhas atitudes.
 
Eu tinha uma vida ativa no Orkut. Dedicava um bom tempo em muitas comunidades e aos amigos (???) que tenho por lá. Minha vida virtual superava (em muito) a minha vida real. Após algumas reflexões e avaliações a decisão foi abandonar o Orkut. Mas, obviamente, não dá para se fazer isto de uma hora pra outra. Fiz a coisa de forma tranquila e hoje minha participação no Orkut está (se tivesse de me expressar em números) 99,5% menor que antes. Desativei todas as notificações que o Orkut envia para meu e-mail, configurei o meu perfil para dificultar novos pedidos de amizade, retirei todas as minhas fotos de lá, saí de algumas comunidades, me mantive em outras por uma questão puramente ética ou por causa de minhas verdadeiras amizades que fiz. Uma opção seria fazer o que chamam de "Orkuticídio" (exclusão de minha conta), mas isto faz com que todas as mensagens que postei sejam apagadas e considero que isto seja uma grande perda (sem falsa modéstia), pois tem muita coisa boa que escrevi e que certamente ajuda a muitos. Então, apenas diminuí minha participação a quase zero.
 
Me tornei uma pessoa mais séria. Deixei de brincar com a frequência que fazia. Não deixo de brincar e de rir, mas não faço como antes. Antes eu tinha um limite para minhas brincadeiras, o trabalho que fiz foi de diminuir este limite de forma muito drástica. Vejo que as brincadeiras, apesar de legais, me transformam em algo que não sou. Então pra que disfarçar? Não brinco como antes, não rio como antes. Me sinto leve e passei a fazer o que fazia muito bem um tempo atrás: Observar. A observação de detalhes sempre foi minha marca registrada e com esta postura vi que esta característica novamente ficou acentuada, o que me deixou feliz. Vi o tanto que perdi por pura falta de observação Muita informação passava despercebida e (diga-se de passagem) informações com muita relevância para a minha felicidade.
 
Me afastei de tudo o que me causa qualquer tipo de sofrimento. Que mania a gente tem de se sabotar… Não quero mais isto. Em algumas situações (agora raras) até fico cara a cara com o "bicho papão" de antes, mas o meu olhar para ele mudou. Desta vez minha postura está mais equilibrada.
 
Estou valorizando a mim mesmo antes de qualquer coisa. Com isto que se dane o resto, mas eu tenho de ser feliz. É óbvio que sempre observando meus critérios de honestidade, ética e bom senso pois não admito pisar em ninguém ou construir minha felicidade na infelicidade dos outros (construções com alicerces ruins tendem a ruir com pouco tempo).
 
Não tenho de fazer nada para que os outros vejam o que estou fazendo. Aí entra a questão de me priorizar. Tenho de satisfazer em primeiro lugar a mim mesmo e se a minha satisfação (sem nenhum prejuízo a quem quer que seja) não é agradável aos outros que se danem os outros que não querem a minha felicidade.
 
Esta questão de preocupar comigo mesmo em primeiro lugar está longe de ser uma postura egoísta. Preocupo com os outros também (especialmente as pessoas que eu gosto), mas se eu me prejudicar para ajudar os outros sou eu quem vai precisar de ajuda e isto pode não ser muito bom. Já passei muito aperto porque priorizava os outros e me deixava de lado. O resultado era ninguém (incluindo eu mesmo) preocupando com meu bem estar.
 
Amizades difíceis eu estou correndo longe. Pessoas com idéias fixas e enraizadas em alguma questão não são fáceis de serem modificadas e eu não tenho obrigação nenhuma de consertar ninguém (até mesmo porque não consigo consertar nem a mim mesmo). Então se você é meu amigo e quer fazer alguma coisa não muito certa não vai ter meu apoio e nem minha reprovação. Viva sua vida.
 
Cansei de esperar por atitudes das pessoas que denotem algo bom. Eu tenho de ser o que espero das pessoas, mas principalmente para mim mesmo.
 
Bem, se eu for escrever a medida que for lembrando o que mudei vai dar um livro (confesso que me surpreendi agora… não achei que as mudanças tivessem sido tão radicais).
 
As minhas mudanças são irreversíveis, visto que elas já estão consolidadas pois me fazem melhor e mais feliz.
 
É claro que todas estas mudanças não se deram da noite para o dia. Foram feitas de forma gradativa e boa parte delas estavam como que represadas dentro de mim faz um bom tempo, foi só abrir as comportas e tudo saiu de forma tranquila aliviando a pressão (algumas pessoas assustaram com isto achando que era uma mudança radical e impensada).
 
Espero, sinceramente, que tudo isto sirva para alguém…
 

Sentimento

sexta-feira, abril 1st, 2011
 sentimento.jpg
Qual a ordem de grandeza devemos medir um sentimento? Como podemos mensurar o quanto gostamos (ou não) de alguém?
 
Alguém pode me emprestar uma fita métrica que seja capaz de medir a extensão de alguns (não precisa ser de todos) os meus sentimentos?
 
Não há como fazer isto de forma precisa ou eficaz que expresse exatamente como é.
 
Não vale dizer que o meu sentimento é igual ao sentimento de determinada pessoa porque não é possível determinar com precisão nada. Ainda assim não fomos capazes de produzir uma informação palpável para quem está de fora.
 
Entre as conhecidas frases de "eu te amo" ou "eu te odeio" existem inúmeras informações ocultas e que não são possíveis de serem reveladas sem um mínimo de esforço.
 
Eu costumo exemplificar isto com um desafio: Tente explicar para um cego de nascença o que é o vermelho. Você dizer que é uma cor não explicou nada (lembre-se que a pessoa nunca viu uma cor na vida). Eu digo que é impossível explicar isto. Assim como eu digo que é impossível explicar o que é o amor ou o ódio em palavras palpáveis e provas concretas. Com certeza só nos faremos entender para quem já sabe o que é o sentimento a que nos referimos. Aí iremos comparar dizendo (ou tentando afirmar) que é mais forte ou mais fraco que aquela demonstração do sentimento alheio.
 
Muitas vezes eu me perco nas tentativas de demonstrar o que sinto porque sei que palavras não serão capazes de traduzir coisa alguma.
 
Há uma linguagem que podemos admitir que seja capaz de passar um volume muito maior e muito mais preciso de informações desta natureza, que é a linguagem do coração.
 
Existem pessoas que não precisam de palavras para se comunicar, basta um olhar e já temos uma gama enorme de informações. Tente colocar no papel instruções básicas para qualquer um seguir os passos e conseguir as mesmas informações. Primeiro que jamais conseguiremos fazer e segundo que mesmo que consigamos jamais alguém irá conseguir reproduzir o mesmo fato seguindo as nossas instruções.
 
Esta linguagem do coração, em alguns casos, não depende sequer do olhar. O sentimento é transmitido a distância sem a menor barreira ou dificuldade. Alguém em Minas Gerais é capaz de transmitir inúmeras informações a alguém da Bahia sem o menor contato físico. Não dá para explicar como isto pode acontecer, não dá para determinar uma lista de procedimentos para que qualquer um siga e consiga a mesma coisa.
 
O meu objetivo neste texto todo não é tentar me fazer parecer melhor que os outros, mas evidenciar que existem coisas que não podemos explicar mas que podemos conhecer perfeitamente.
 
Quem nunca vivenciou algo parecido?