Archive for agosto, 2011

Traição

terça-feira, agosto 23rd, 2011
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Há muito tempo que eu quero escrever sobre traição e nunca encontrei tempo e inspiração para isto.

Tempo eu não tenho (e nunca vou ter), mas acho que estou inspirado, então vamos lá.

Vou me ater aqui a traição que acontece nos relacionamentos conjugais. São, na minha opinião, os mais complicados de se administrar.

Antes de qualquer coisa, vou excluir das minhas análises os comportamentos doentios da pessoas que traem por simples "esporte". São pessoas que eu considero que possuem uma falha no caráter. Traem pelo simples fato de trair, pelo fato de nunca conseguirem se manter íntegros num relacionamento. E isto acontece durante toda a vida da pessoa. Vem desde a adolescência e perdura pela fase adulta até a morte. Então vou considerar as pessoas que não são desta forma (que eu acredito ser a maioria esmagadora da população).

Agora vamos aos fatos. Duas pessoas estão num relacionamento e num determinado momento uma delas descobre que a outra está tendo um relacionamento com uma terceira pessoa. Configurou a traição.

Infelizmente (ou felizmente) eu penso diferente. A traição não aconteceu aí. O fato de haver uma terceira pessoa foi simplesmente a concretização da traição, foi meramente consequência.

Vamos partir do pressuposto que o casal está vivendo uma vida tranquila e nenhum dos dois pensa em trair o outro. Num determinado momento um dos dois acorda e pensa: Acho que hoje é um bom dia para ter um relacionamento extra conjugal! Simplesmente não acredito nisto. Não acredito que esta idéia brote do nada. Não acredito que alguém tenha esta brilhante idéia assim sem nenhum motivo.

Então já que o ato de haver uma terceira pessoa no relacionamento não é o princípio da traição, qual é este princípio? Qual é a causa?

Não sou católico, mas gosto muito da cerimônia de casamento católico. Os noivos se olham e dizem:
– Eu, Fulano, te recebo Fulana, como minha esposa e te prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe.

Mesmo que não haja nenhuma cerimônia religiosa o significado do casamento é exatamente o mesmo. Peguei o exemplo do juramento católico apenas como ilustração porque foi o que traduziu melhor o que eu quero dizer.

O ruim é que as pessoas encaram que a traição está configurada apenas na palavra "fiel" do juramento e se esquecem que também está presente no respeito. Quando acontece uma traição é sinal que muita coisa já aconteceu. Muita coisa já desestruturou o que chamamos de casamento (ou relacionamento). Quando a fidelidade cai é sinal que o respeito já foi embora há muito tempo. O campeão dos motivos é o respeito, aliás, é justamente a falta dele. Imaginem o respeito de uma forma mais abrangente. Existem inúmeras formas de desrespeitar alguém. Falei do ciúme num outro texto e o ciúme é uma das faltas de respeito. A coisa gira em torno de detalhes que acumulados chegam a níveis insuportáveis.

A traição de fato acontece quando alguém encontra outra pessoa que supre suas necessidades afetivas e necessidades como ser humano. A culpa fica, infelizmente, na pele de quem se rendeu a outra pessoa, ou a outro relacionamento, quando na verdade a responsabilidade é de quem provocou tudo isto. E isto não tem como ser analisado por ninguém. Não há investigador ou juiz capaz de apontar o verdadeiro responsável pela separação de um casal.

Por que estou dizendo tudo isto? Simples! É necessário que paremos de apontar nossos dedos acusadores sem conhecer o que realmente aconteceu! E é mais necessário ainda identificarmos onde (e quem) estamos traindo. Consciente ou inconscientemente o fato é o mesmo e a nossa responsabilidade também.

Fugir

segunda-feira, agosto 22nd, 2011
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Vamos fugir!
Deste lugar
Baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue…

Tá aí uma coisa que detesto fazer: Fugir. Não posso dizer que não fujo (tenho meus pontos fracos e ainda uso a fuga como solução), mas definitivamente não gosto de fazer isto.

Vamos descrever o processo e ver (ou tentar) a lógica de tudo.

Um problema acontece (quando não acontece, né?). Aí temos duas opções:
– Voltar a nossa atenção para ele com o intuito de resolvê-lo
– Abafar tudo e viver a vida como se o problema não houvesse acontecido.

A segunda opção é a fuga e ela aparece sob as mais diversas formas, por isto é que as vezes é difícil de ser reconhecer uma atitude de fuga. Sempre justificamos nossas atitudes como sendo a única opção possível mediante ao que estávamos sentindo ou mediante as circunstâncias.

Um problema não resolvido fatalmente retorna e, o que é pior, com mais força. Vamos entender isto. Se fugimos de alguma coisa é sinal que somos fracos perante o que aconteceu (não tenho medo de admitir minhas fraquezas). Se resolvemos fugir criamos em nós uma resistência ou um reforço em nosso medo. Mais tarde o problema retorna (na sua forma original, com os mesmos personagens e fatos ou num novo contexto). Aí além do problema em si, teremos o registro de nossa solução com a mesma coisa no passado. Resultado: Fugimos de novo. E vamos continuar fugindo até que sejamos confrontados de uma forma onde não existem meios de fugir. E aí é o momento que nosso mundo desaba. Só conseguiremos reerguer com ajuda profissional (psicólogos ou psiquiatras), talvez com remédios, e (principalmente) com muito esforço de nossa parte. Fazer as coisas de forma compulsória nunca foi uma boa saída, mas a vida se utiliza deste recurso quando todos os outros falham.

Eu sempre digo que quando insistimos em não seguir pelo bom caminho a vida se encarrega de nos colocar nele. O problema é que quando a vida chega a atuar iremos sofrer (e não é pouco). Ficaremos fragilizados, revoltados e (ao mesmo tempo) impotentes. Já imaginaram as consequências de tudo isto internamente?

Soluções? Claro que existem e não doem nada, diga-se de passagem!

Se cada problema que acontecer nós nos preocuparmos em resolvê-los com certeza eles não irão crescer. Se retornarem teremos o registro da solução anterior (se não deu certo, já temos a informação do que não fazer, o que eu considero uma excelente informação). A partir disto delineamos nosso comportamento com o objetivo de não sofrer e de não fazer ninguém sofrer.

O ideal é esgotar o problema para que não fique nenhum resquício onde ele possa nascer novamente. É bom lembrar que a cada renascimento do mesmo problema as raízes do problema ficam mais fortes e mais difíceis de serem resolvidas. A diferença é que quando empregamos esforços em sua solução o nosso esforço enfraquece esta raiz e nós nos tornamos mais fortes pelo simples fato de termos tentado ou de termos nos movimentado na produção da solução.

Não fiquemos parados esperando que os problemas irão se resolver por si só porque isto não vai acontecer. Não fiquemos esperando uma "Fada Madrinha" que vai resolver tudo com sua maravilhosa varinha de condão.

Não posso falar pelos outros, mas eu me sinto muito mal quando não resolvo meus problemas…

Desconfiança

sexta-feira, agosto 5th, 2011
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Pouco tempo atrás eu falei sobre confiança. Pois bem… Agora é hora de falar da desconfiança…

Não existe nada pior que ser alvo de desconfiança. Do nada alguém nos chega e diz: "Não confio em você!"

A coisa agrava quando não damos motivo para desconfiança. Já ouvi uma frase absurda: "Você nunca me deu motivo, mas eu não confio em você!". Isto é soa como uma ofensa, tanto para o meu lado pessoal quanto para com a minha inteligência.

Se eu desconfio de alguém com toda certeza tenho motivos. Posso até não querer expô-los (por uma questão de ética ou com medo do barraco que esta exposição vai causar, rsrsrs), mas eles existem. São motivos concretos e palpáveis. Ou seja, é possível explicar com todo embasamento lógico e (com uma grande chance de) convencer quem me ouve.

Mas dizer que não existem motivos e mesmo assim desconfiar simplesmente não consigo entender.

Vejam que há uma diferença enorme entre "não confiar" e "desconfiar". Não confiar é comum, pois confiança é algo conquistado. De igual forma a desconfiança também é algo conquistado (mas pelo lado negativo). É bom entender que da mesma forma que eu tenho de fazer por onde ter a confiança dos outros a mesma coisa acontece com a desconfiança.

Se a confiança é o princípio de qualquer união a desconfiança é o princípio de qualquer desunião.

Falando em desunião… Uma forma muito comum de desconfiança é o ciúme. Na maioria das vezes o ciúme é infundado. Não tem embasamento lógico ou concreto que sustente sua existência. Vejo sempre o ciúme como sinônimo de desconfiança. Encaro a confiança como base de qualquer relacionamento. Logo, o ciúme está na contramão.

Muitos dizem que o ciúme é o tempero do amor. E eu digo que o ciúme é o destempero. É o componente que estraga qualquer relacionamento. Quer colocar um fim no seu relacionamento? Tenha ciúme! Com toda certeza isto vai minar (aos poucos) qualquer relacionamento que tenha. Todo relacionamento onde o ciúme está presente está fadado ao fracasso (lembre-se disto antes da sua próxima crise de ciúme).

Confie até que haja algo de concreto que te estimule a desconfiar. Havendo a desconfiança não guarde ela pra si mesmo, revele e exponha a sua desconfiança. Por mais que doa é muito melhor esclarecer do que guardar. Não fique ao lado de uma pessoa mantendo o ciúme, com toda certeza você vai sofrer e vai fazer a outra pessoa sofrer também.

Se possível tente se colocar no lugar do outro. Imagine alguém que gosta dizendo que desconfia de você sem motivo algum. Apenas desconfia. Vai chegar a conclusão que é algo bem ruim.

Minha Idéia – Meu Paradigma

quarta-feira, agosto 3rd, 2011
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Einstein dizia que é mais fácil quebrar um átomo do que um paradigma (nem sei se ele disse isto mesmo, mas dizem que ele dizia então eu acredito). E isto é uma realidade, infelizmente.
 
É curioso observar como funciona o nosso comportamento perante aquilo que acreditamos. É curioso de suma importância observarmos para que possamos não só nos conhecer mas para melhor relacionar com os outros.
 
A situação é a seguinte: Acreditamos em alguma coisa e temos a necessidade de procurar adeptos para a nossa crença. Para isto movemos o mundo em argumentação para que as pessoas tenham a mesma linha de raciocínio que temos.
 
A maneira como agimos para isto acontecer varia ao infinito. Vai desde uma argumentação simples até ofensas a quem não aceita as nossas idéias.
 
Mesmo que nossas idéias sejam (notadamente) erradas, queremos que as pessoas concordem com elas pelo simples fato de não querer admitir que estamos errados.
 
Qual o problema em reconhecer que não estamos certos? A resposta vem de um lugar só: Orgulho. O nosso orgulho nos impede de admitir que o outro está certo. Isto soa como um soco no estômago. Nos sentimos inferiores quando alguém nos chega com uma idéia melhor que a nossa. É aquela idéia que parece que caiu como uma luva, mas não podemos admitir porque senão nos consideraremos como seres inferiores.
 
Quando estamos numa posição em que nossas idéias irão prejudicar as pessoas, nos fazer desistir de nossos intentos é tão complicado quanto quebrar um átomo (como dizia Einstein).
 
Não precisamos procurar exemplos nos outros (aliás, isto nem é útil). Vamos olhar para nós mesmos. Com toda certeza iremos encontrar "belos" exemplos que não devem ser seguidos por ninguém. Transforme estes exemplos num filme e ele ganhará a frase: "Impróprio para menores de 25 anos. Contém cenas de extremo descontrole lógico."
 
Basta olhar para um passado não muito distante e encontraremos momentos em que fechamos os olhos para idéias corretas e continuamos agindo da maneira que queremos (mesmo sabendo qual é a maneira correta).
 
Várias vezes encontro pessoas assim (não que eu também não seja). Me perguntam o que estou sentindo e quando digo dizem não acreditar. Aí é impossível não dizer:
– Você já tinha uma idéia pre-concebida. Pra que perguntou se não acredita em nenhuma resposta diferente das suas idéias?
 
É uma pergunta meio arrogante, mas acho interessante para que as pessoas percebam o que estão fazendo. Este foi apenas um exemplo dentre tantos. E é uma característica marcante de quem age desta forma. Pergunto alguma coisa já tendo a minha resposta. Descarto todas as respostas diferentes da minha e acolho todas que concordam comigo.
 
Quando agimos assim perdemos algo de suma importância em nossa vida: A possibilidade de enxergarmos opiniões diferentes e igualmente interessantes. Acredito que vale a pena observar as coisas que acontecem fora do nosso mundo e aproveitar os grandes ensinamentos que nos chegam através das mais diversas (e inesperadas) pessoas.