Archive for maio, 2012

O Mundo Gira

quinta-feira, maio 10th, 2012

 

Por onde o seu mundo gira? Com o que tem se preocupado ultimamente? Onde estão suas atenções?

Muita gente tenta escapar desta pergunta dizendo que depende do que estão fazendo. Até justificam dizendo que são sempre focados em tudo que pegam pra fazer e que quando estão no trabalho o mundo externo deixa de existir e o mesmo acontece em todos os locais. Só tenho uma palavra para isto: ERRADO! rsrs (acho que nunca falei algo com tanta convicção).

Uma pessoa focada desvia a maior parte de sua atenção para o que está fazendo, mas nunca se desliga de tudo. Quem desliga de tudo e fica apenas no que estão fazendo são os portadores de alzeimer. Estes sim podem dizer (e eu vou acreditar) que conseguem desligar de tudo para focar apenas numa única coisa. De resto ninguém é assim.

Detalhe: Estou me referindo aqui a pessoas adultas, ok? Criança a história é outra bem diferente.

Minha vida é composta de várias facetas e todas interligadas. Não sou anormal (pelo menos acho que não) e acho que todo mundo é assim. Procuro não deixar que uma de minhas facetas interfira na outra, quando isto acontece vence aquela com maior prioridade no momento.

Querem exemplos? Seu chefe chega e diz:
– Hoje terá de ficar até mais tarde. Vai ter de trabalhar até as 23 horas.

Se você é focado no trabalho e o mundo externo não existe você dirá:
– Ok. Eu fico.

Mas normalmente antes de responder a isto pensamos em casa, nos compromissos sociais, no que iríamos fazer depois de sair do trabalho (no horário normal), em como iremos para casa, qual o caminho que iremos fazer num horário destes. Etc. Pronto. Estou ligado a tudo, não me desliguei de nada.

Outro exemplo: Estamos trabalhando e ao checar os e-mails deparamos com um spam mas de um produto que nos chama atenção. Pronto. Desligamos do trabalho e começamos a imaginar este produto na nossa sala de estar, ou cozinha, ou seja lá onde for.

Mesmo que este desligamento seja super rápido, mas ele acontece muitas e muitas vezes por dia. As vezes é tão automático que nem percebemos. Aí dizemos que não desligamos em momento algum.

Ok. Mas meu objetivo aqui não é provar isto pra ninguém (até pareceu isto, né? rsrs).

Eu considero uma qualidade manter-se focado naquilo que está sendo feito. As chances de sair bem feito (seja lá o que for) é muito maior. Ao passo que desligar-se de outras situações também significa cortar contatos, deixar no ar muita coisa.

Tive um grande exemplo na semana passada. Passei a admirar uma pessoa de onde estou prestando serviço justamente por isto. Nada fica parado na mão desta pessoa. Mandou um e-mail, ela responde na hora. Pediu alguma coisa que só depende dela (e é rápido para resolver), resolve na hora.

Por algumas vezes eu cheguei na mesa dela solicitando alguma coisa. Uma pessoa qualquer (eu, por exemplo) diria: Vou resolver e te retorno assim que possível. Mas ela não. Parou, com duas ligações resolveu tudo. Não gastou mais do que cinco minutos.

Está focada no seu trabalho, mas jamais deixa de estar atenta no mundo externo. Jamais se deixa levar pelo que está fazendo no momento, apenas não deixa as coisas pararem por sua causa.

Quem nunca deixou de receber uma resposta porque a outra pessoa estava “ocupada” demais para responder? Ou quem nunca deixou de responder algo simples porque estávamos “ocupados” demais para responder? Pois é… Isto é errado!

Eu, particularmente, considero a desatenção aos outros uma falha grave. É claro que outras pessoas não pensam assim (cada um com sua opinião). As vezes um simples “oi” esconde um problema que alguém está passando e que temos condições de ajudar. Mas não podemos responder, pois estamos ocupados demais… (e muitas veze nem tão ocupados estamos assim, é preguiça mesmo e jamais iremos admitir isto).

O meu mundo está, impreterivelmente, ligado ao mundo dos outros e se eu tenho o hábito de desconsiderar isto pode ser que amanhã o cenário seja diferente, e aí ficaremos sem apoio em momentos cruciais de nossa vida. Podemos facilmente confessar que em determinados momentos nos sentimos até sem merecimento pela ajuda que recebemos porque não fizemos quase nada. Mas acreditem, a contabilidade da vida não falha… Saldos devedores significam sofrimento.

O fato é que o nosso relacionamento interpessoal é o mais importante que temos aqui. Se não dermos a devida atenção fatalmente iremos nos reconhecer sozinhos cedo ou tarde.

Eu descobri que deixar os olhos abertos para os outros mundos não me custa nada e ainda por cima me faz ser uma pessoa mais feliz e mais querida por todos com quem tenho contato. Experimente pra ver! Satisfação garantida ou… ou… sei lá!!! rsrs

Viva em seu mundo, mas não despreze o mundo dos outros. Dê atenção. Sorria. Cultive o que há de melhor entre estes mundos (a amizade).

Círculo Vicioso

quinta-feira, maio 3rd, 2012

 

Uma vez conversava com um amigo tentando convencê-lo da necessidade de procurar um psicólogo. O argumento dele era: “Sou capaz de resolver meus problemas sem a necessidade de ajuda”.

Isto é o que todo mundo diz.

O meu contra-argumento foi:
“Sim, tenho certeza disto. Só resta saber se vai conseguir resolver tudo antes que a sua vida vire um caos.”

Resultado: Ele procurou um psicólogo.

Juro que falei isto sem pensar. Saiu no “susto”. Depois eu fiquei pensando sobre o assunto, pois se serviu pra ele serve pra mim também.

Eu acredito na capacidade humana. Somos capazes de contornar qualquer problema. Somos capazes de dar a volta por cima em qualquer situação. Disto eu realmente tenho certeza.

O problema é que não sabemos o caminho certo e para descobri-lo teremos de tentar. Faremos isto tantas vezes quantas forem necessárias até acharmos o certo. Procurar ajuda pode fazer a diferença entre quantos caminhos iremos tentar até achar o certo. Com ajuda podemos descartar muitos caminhos e deixar para tentar apenas aqueles que tem alguma chance de dar certo.

Não estou dizendo isto apenas para enaltecer o trabalho da psicologia (que é uma área que eu admiro muito). Inclusive agora vou “sair pela tangente” focando o objetivo de escrever tudo isto.

A pergunta que eu faço (e que serve de reflexão) é:
O que precisa de acontecer para que nos convençamos do que realmente temos de fazer?

Mudei o foco, eu sei.

Estamos vivendo de uma forma que muita coisa acontece conspirando para que façamos alguma coisa e aí nos munimos da liberdade que temos para agir diferente. Aí a vida se encarrega de criar situações para nos encurralar novamente. Optamos por outra coisa (numa fuga contumaz). Mais uma vez a vida tece novos caminhos e vamos chegar fatalmente na mesma situação. E poderemos fugir quantas vezes quisermos.

Isto acontecerá enquanto assim quisermos. Mas… Perceberam que a nossa vida parou? Quando agimos assim estamos andando em círculos com paisagens diferentes. Aí nos deparamos com outros personagens, com outros quadros e com as mesmas decisões. Fugir ou encarar? Fugir significa continuar no círculo vicioso, encarar significa sair dele e viver novas emoções.

A pergunta que fiz é bem precisa: O que é necessário acontecer para sairmos deste círculo vicioso?

Sempre que é necessário acontecer algo drástico em nossa vida para mudarmos de atitude é sinal que estamos esperando a nossa vida virar um caos para mudarmos. Não procuramos ajuda (e as vezes nem permitimos sermos ajudados) e tentamos resolver tudo do nosso jeito, numa repetição frenética de mesmas atitudes anteriores.

Acredito que se seguirmos a mesma receita o resultado será sempre o mesmo, portanto, é preciso mudar alguma coisa em nosso “modus operandi”. Mas aí vale o que eu disse no início: Procure ajuda para mudar algo que realmente seja significativo.

A cada tentativa feita, situações, pessoas e oportunidades (responsáveis por esta mudança) se vão e não voltam mais. Aparecerão outras situações, outras pessoas e outras oportunidades. E estas também irão embora (para nunca mais voltar) caso resolvamos fazer outra tentativa em permanecer do mesmo jeito.

É preciso sofrer? Não acredito nisto. Não precisamos sofrer para aprender, mas o sofrimento irá fatalmente aparecer como consequência de nossas tentativas mal sucedidas.

E sabem o que é curioso? Muitas das mudanças que fazemos em prol de nosso bem sabemos que não é suficiente (quando não sabemos também que não vai dar em naquilo que pretendemos).

Que tal sairmos deste círculo vicioso agora? Sim, agora! Avalie se é capaz de produzir uma mudança significativa na sua vida (e diferente de tudo o que vem tentando). Avalie isto com frieza mesmo. Se ver que não é capaz, procure ajuda. Eu já fiz seis meses de terapia com um psicólogo e achei a melhor coisa do mundo. Procurar ajuda não é sinal de fracasso, muito pelo contrário, é sinal de força de vontade na própria melhoria.

Confiança

quarta-feira, maio 2nd, 2012

 

 

Conversando com uma pessoa amiga um bom tempo atrás, me disse: Confiança é uma coisa bem delicada.

Achei, de início, a frase muito simples. Mas ela nunca me saiu da cabeça. Se sempre ficou na minha mente é porque tem uma importância maior do que a que estou dando. Nada melhor do que pensar a respeito.

Tenho exemplos clássicos de confiança (e de sua falta) que corroboram com a frase. O mais clássico é dizer que confiança é como um jarro de porcelana. Uma vez quebrado podemos colar tudo com uma boa cola, mas iremos sempre ver as marcas de onde foi colado. Resumindo: Nada será como antes.

Isto é o mais perfeito que eu pude chegar. Dá pra falar mais (é claro), mas o foco que eu quero é outro. Não quero dizer aqui as consequências da perda de confiança (acho que todo mundo tem noção disto). Quero abordar alguns pontos que acarretam na sua perda. Acredito que isto é mais útil pois podemos nos cuidar para que isto não aconteça.

Primeiro o fato: Só é perdido aquilo que se tem. Então para perder a confiança é necessário, antes, tê-la tido em grau acentuado.

Considero três grandes pontos que ocasionam a perda de confiança:

1. Desconfiança. Parece contraditório, mas não é. Confiança exige reciprocidade. Se a pessoa em quem confiamos não confia também, automaticamente há a quebra desta confiança que temos.

2. Indisponibilidade. Confiança presume presença. É aquela coisa de fechar os olhos e se soltar no vazio na certeza que seremos amparados. Quando fazemos isto e somos amparados pelo chão não há confiança que resista.

3. Mentira. Propositadamente deixada por último, é o componente venenoso de qualquer grau de confiança. Não há confiança que resista a uma mentira. Diga a verdade ou não diga nada, mas não minta. Dizer que não pode (ou não quer) revelar nada no momento é melhor do que dizer uma mentira para abafar. “Mentira tem perna curta”, já dizia minha avó e com toda razão. Cedo ou tarde a verdade aparece e quando aparecer fica a decepção. Jamais entre pelo caminho de que “os fins justificam os meios” pois isto não muda o fato.

Qualquer relação de confiança que sofrer um (ou mais) destes três pontos citados acima jamais será a mesma. Pode até perdurar a amizade, o respeito, etc (lembrando que existem casos que nem isto fica), mas a confiança nunca mais será a mesma.

Num outro texto eu falei sobre escolhas. Podemos escolher cuidar deste bem precioso que temos ou jogá-lo no lixo.

Não estou dizendo aqui para sermos perfeitos (ninguém é). Iremos errar sim. Se errarmos (e saberemos quando isto acontecer) nada melhor do que a honestidade de assumir o erro cometido antes que ele seja descoberto por conta própria. Fica até mais bonito alguém confessar um erro cometido para alguém que lhe é caro do que ter de se explicar depois que o mesmo foi descoberto. Isto é parte do que eu chamo de “consideração”.

É tão difícil confiar em alguém hoje em dia, então, se confia em alguém cuide para não trair esta confiança. Cuide, cultive e sempre estimule esta confiança recíproca.