Archive for julho, 2014

Ápice da Vida

quinta-feira, julho 31st, 2014

apice

 

Já ouviram falar de ápice? É aquele ponto que atingimos o grau mais alto que podemos e daí pra frente é só descida.

Na vida temos vários ápices, só que são todos (digamos) opcionais.

É bem comum adotarmos o ditado “não se mexe em time que está ganhando”, mas não temos a capacidade de avaliar se realmente estamos ganhando quando na verdade apenas estamos numa posição cômoda esperando que nada aconteça para nos tirar dela. Quando estamos na subida da vida é sinal que estamos conquistando, estamos desbravando e atingindo terrenos mais altos. E quando estamos descendo é sinal que deixamos de conquistar e estamos indo para locais mais complicados (embora conhecidos).

Na vida sempre que buscamos nossa melhoria estamos subindo. Podemos deixar de procurar esta melhoria durante um tempo, para tomar fôlego, e continuar mais tarde. Mas se pararmos tempo demais as consequências logo vem.

Durante a nossa subida vamos temos inúmeras oportunidades de nos agarrar no próximo degrau, no próximo patamar e, a partir daí, nos esforçarmos para subir um pouco mais. Se recusamos estas oportunidades (o que é normal acontecer) a nossa vida entra em declínio. Não dá para atingir um degrau superior sem pisar nos outros que estão abaixo dele. Por conta desta nossa resistência, nossa vida toma um rumo de descida. Todo corpo, quando desce, tende a aumentar sua velocidade de descida a medida que desce. Com a vida é a mesma coisa. A imersão para terrenos mais baixos pode ser feita de forma bem rápida e a retomada do caminho é sempre árdua porque teremos de vencer a nós mesmos, na força natural que nos impulsiona para baixo.

É possível, claro, reverter uma situação de descida, mas o esforço é bem grande. E os quadros, a nossa visão da vida, as pessoas que antes nos cercavam (entre outras coisas) mudaram. Tudo mudou. Ou seja, nada ficou esperando o nosso retorno da descida voluntária que tivemos.

Se descemos, temos de voltar a subir, se estamos subindo temos de cuidar para não descer.

Atingir o ápice é a fase perigosa. Não podemos ter o ápice. Não podemos ter aquele ponto em que o único caminho possível é para baixo. Crescer sempre!

Copa do Mundo

quarta-feira, julho 9th, 2014

brasil

 

Brasil-sil-sil-sil…

Em nenhum momento, desde que o Brasil se propôs a sediar a Copa, eu pronunciei publicamente qualquer coisa contrária. Apesar de ter minha opinião 100% contrária.

Ontem, logo após o trágico jogo, recebi uma mensagem de uma amiga com uma frase que expressou tudo o meu pensamento sobre tudo: “O resultado do jogo foi a vitória da competência sobre a malandragem”. Infelizmente nós somos o país da malandragem e tomamos o cuidado de passar isto de geração a geração. É o lugar onde sempre aproveitamos toda e qualquer oportunidade de nos darmos bem, custe o que custar.

Ah, não concordam? Então me digam quantas vezes faltou ao trabalho por motivo fútil e mentiu para todo mundo por causa disto. Ou me digam quantas vezes fizeram alguma coisa errada e deixaram pra lá porque, afinal de contas, ninguém viu mesmo… Vamos colocar isto no campo de futebol? Contem quantas faltas cavadas, quantos pênaltis reclamados sem nenhuma razão, quantas reclamações de coisas que não aconteceram, quantos “jeitinhos brasileiros” que muitos (a maioria) de nós diz que jogo roubado é mais gostoso…

Em nenhum momento desta Copa eu torci para a seleção brasileira. Não me sinto orgulhoso de falar isto, mas me sinto muito bem em dizer que ao invés de torcer para a seleção brasileira eu torço para o Brasil. Sou brasileiro muito antes de ser amante de futebol (e olhe que eu nem gosto tanto de futebol).

Torci para que a seleção não passasse da primeira fase do campeonato. Na minha opinião o quanto mais cedo ela saísse da Copa melhor para o país. Uma multidão inflamada e enxergando apenas (e tão somente) uma competição esportiva ao invés de assuntos bem mais importantes.

A cada partida eu ficava esperando a forma como a seleção brasileira iria perder e colocar fim nos ânimos exaltados e despreocupados com o restante da nação. Sim, a nação brasileira, o lugar onde moramos e que está uma verdadeira soma de várias coisas ruins (e que a maioria prefere varrer pra debaixo do tapete, afinal estamos na Copa e esta é a Copa das Copas, não é???).

Algumas pessoas me chamaram de “sem pátria”. Me deu vontade de rir, porque eu não torci para a seleção justamente por ser patriota. Patriota a ponto de colocar de lado a emoção de um título no cenário mundial de lado em favor de uma vida melhor no país que vivo.

O que ganhamos com a perda? Talvez nada. Mas acredito que teríamos muito a perder com a vitória. Por incrível que pareça a alegria do brasileiro se traduz em entorpecimento mental, o que resulta em baixo níveis de reclamações perante tudo o que acontece.

Não se faz Copa com hospitais, disse a celebridade antes do início das “festividades”. O outro diz que deveríamos deixar os protestos para depois da Copa. E assim vamos empurrando as erradas para debaixo do tapete, sem que haja qualquer coisa em contrário.

Ah, mas ambos os exemplos que dei foram duramente criticados. Mas qual a diferença isto fez? Resposta: Nenhuma! Exatamente. O que falaram foi, simplesmente, a expressão do pensamento da maioria (e da maioria que comanda o país, diga-se de passagem).

Sim, torci contra a seleção e ainda fiz a promessa de comprar a camisa da seleção que tirasse o Brasil da competição (vou cumprir em breve, vai ser a primeira camisa de time que terei no meu guarda-roupas). A promessa foi em tom de gozação, mas quero cumprir (também em tom de gozação). Não me faltam argumentos para torcer contra mas me falta ânimo pra ficar explicando e as pessoas apenas discordando sem um mínimo de raciocínio (fico com a sensação de que é como explicar matemática para um macaco).

E na próxima Copa? Não sei! Se eu estiver vivo até lá e o cenário do meu país (sim ele também é MEU, por incrível que pareça) for o mesmo, terei o prazer de novamente torce contra a seleção e a favor do país.

Sim, sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Só não torço para a seleção brasileira, enquanto for ponta de um iceberg de coisa suja e lamentável.

Tenho muito (mas muito) mais a dizer sobre este mesmo assunto, com o tempo vou colocando aos poucos.

(IN)UTILIDADE

terça-feira, julho 1st, 2014

utilidade

 

“Utilidade é uma coisa muito cansativa. Você ter utilidade para alguém é uma coisa muito cansativa.

Tá certo, realiza. Humanamente falando, é interessante você saber fazer as coisas, mas eu acredito que a utilidade é um território muito perigoso, porque muitas vezes a gente acha que o outro gosta da gente, mas não, ele está é interessado naquilo que a gente faz por ele.

É por isto que a velhice é este tempo que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa.

Eu acho que é o momento que a gente purifica, é o momento que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado.

Por isto eu peço a Deus poder envelhecer ao lado das pessoas que me amam, pessoas que me possam proporcionar a oportunidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo sem perder o valor. Alguém que saiba acolher a minha inutilidade, alguém que olhe pra mim e saber que eu não tenho mais nenhuma utilidade e tenho o meu valor.

Se você quer saber se o outro te ama de verdade, é só avaliar se ele é capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: Quem nesta vida já pode ficar inútil para você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora?

É assim que nós descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isto eu digo: Feliz aquele que tem, ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir a fala que diz: Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”   –   Padre Fábio de Melo

 

 

Eu realmente gostei deste texto. Uma amiga me disse que é lindo, verdadeiro e triste (ao mesmo tempo). Concordo plenamente com ela. É maravilhoso alguém gostar do outro pelo seu valor como pessoa e é triste descobrir que aquela pessoa que diz gostar, no fundo só disse isto apenas porque a pessoa lhe era útil.

Já vivi muitas vezes a sensação de ter sido jogado fora após ter passado o tempo da utilidade. Pessoas que se diziam amigas e que me disseram que sempre estariam ao meu lado. Mas bastou eu mostrar o meu lado inútil (na vida delas) que fui descartado e substituído por outra pessoa que supriu a necessidade que tinham.

Mas isto não me abala (pelo menos hoje não mais). As pessoas são livres para vir e ir (nem sempre permito o movimento contrário). Não deixo de ser disponível a quem quer que seja, mesmo sabendo que serei descartado mais tarde. Tenho o coração mole e sempre me mantenho a disposição. Mas da minha intimidade só participam quem realmente merece.

Considero como fator primordial, em qualquer relacionamento, o respeito. E considero (também) como uma atitude altamente desrespeitosa o descarte de pessoas inúteis.

Não que precisamos manter contato constante. Tenho grandes amigos que raramente vejo, mas que quando vejo há uma enorme alegria mútua. Não é esta a questão. O que eu me refiro é o fato de ser descartado por não ter mais utilidade. Daquela pessoa que somente (e tão somente) procura quando precisa de alguma coisa. De resto, somos mais um na multidão de conhecidos.

É óbvio que o texto também serviu pra mim. Serve para que eu reflita o quanto faço a mesma coisa com os outros. A quem me dedico e chamo de amigo, nunca descartei. Mas já descartei amizades por ter sido descartado como pessoa. E é claro que existem pessoas que nos vinculamos apenas por uma questão de necessidade mesmo. Não quer dizer que todo mundo que ajudamos ou que pedimos ajuda tem de ser considerado amigo.

É algo para refletirmos mesmo! Vamos pensar a respeito…

(IN)UTILIDADE