Idéias x Fatos

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Sempre quando eu preciso de me concentrar no trabalho coloco fones de ouvido e alguma música num volume maior que o barulho externo. Não importa muito a música porque dificilmente vou prestar atenção nela. Mas desconhecemos a capacidade de nosso subconsciente de registrar aquilo que não damos atenção conscientemente.
 
Ontem eu utilizei este recurso, porém, sem querer (devido a uma combinação de teclas que eu juro não saber qual é), ativei a função "repeat" do player que estava usando e uma das músicas ficou tocando ininterruptamente. Só notei isto depois de muito tempo. É claro que o resultado disto é ter ficado com a bendita música na cabeça até agora e, pelo jeito, não vai sair tão cedo.
 
Ainda bem que é uma boa música (que até já comentei sobre ela aqui no blog). É uma música de Cazuza que embora eu não saiba o título praticamente decorei a letra toda…
 
Mas (mais) uma parte desta música me chamou atenção e me colocou pensando de ontem para hoje. É uma frase simples (e aparentemente boba): "Suas idéias não correspondem aos fatos".
 
Fiquei pensando em quantos (e quais) momentos eu sou incoerente comigo mesmo. Como funciona a relação entre o que eu acredito para o que eu faço? Não suporto a idéia do "faça o que eu digo e não faça o que eu faço", muito embora isto seja uma realidade (mesmo que velada). Fiquei pensando em que eu afirmo para os outros e faço justamente o contrário.
 
Falando assim pode ser que não tenham uma idéia do que possa ser e do quão grande isto é. Mas pensem bem. Se eu digo (e acredito) que gosto de algo mas minhas atitudes (se observadas por quem não conhece o meu íntimo) diz o contrário há um problema. Há que se pensar nisto porque se nós não somos capazes de sermos verdadeiros conosco mesmo como é que queremos ser verdadeiros com os outros e, o pior, como exigir que os outros sejam verdadeiros conosco se nem nós damos o exemplo (para nós mesmos)?
 
Quando temos filhos aí a coisa complica um pouco mais. Pois imagine alguém exigindo transparência, honestidade e verdade de um filho sendo que ele próprio se trai em todos estes quesitos para consigo mesmo…
 
Bem. Atrás de uma reflexão tão profunda vem sempre uma (ou mais) proposta de mudança. Não falo de promessas (que muitas vezes sabemos que não seremos capazes de cumpri-las), mas de propostas mesmo. Aquelas que podem ser traduzidas como uma modificação (mesmo que mínima) na forma de agir visando o cumprimento de uma meta. Nestas propostas estão incluídas associações e desassociações que com certeza serão úteis em todos os sentidos. Assim como estão incluídas esforços e até considerados alguns sofrimentos (pois mudar nunca é tão fácil quanto se imagina). Fiquei pensando nas desculpas que eu dou a mim mesmo para que estas propostas não sigam adiante (são todas desculpas esfarrapadas, confesso).
 
Tenho de mudar… Tenho de vencer… Eu preciso… Eu posso… Eu consigoEu sou capaz
 
Sinceramente? Se eu sou tudo isto, todo mundo é!
 

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