Amor Platônico

amor_platonico.jpg 
Resolvi escrever sobre isto um pouquinho, pois é motivo de sofrimento.
 
Aos filósofos de plantão, estou me atendo ao sentido popular da expressão "Amor Platônico" onde a definição é um amor impossível de se realizar.
 
Se eu estiver apaixonado pela Angelina Joulie dificilmente vou sofrer por causa deste amor. A razão me coloca no meu devido lugar, informando "gentilmente", que ela nem sequer imagina que eu existo e mesmo que imaginasse eu estou longe de ser sequer comparado com o Brad Pitt (verdade seja dita, né?). Então eu posso alimentar uma paixão apenas para visualizar a aparência da mulher ideal para mim (no máximo a aparência porque eu não a conheço de verdade).
 
Então este amor platônico não faz mal. Ele não nos faz sofrer porque de uma forma ou de outra sabemos que ele é realmente impossível (e nem venham citar o exemplo do Jesus Luz para derrubar minha fala, rsrs).
 
O amor platônico a que me refiro (e o foco deste texto) é aquele que tem tudo para ser possível, mas é impossível. É aquele cujo qual nos apegamos a um fio (sequer) de esperança na tentativa de torná-lo real, mas é em vão. Este sim nos faz sofrer.
 
A razão nos leva a acreditar que é possível. Mas para dar certo o mundo tem de ser perfeito, ou seja, tudo tem de acontecer conforme nossas regras. Aí sim a coisa funciona e terminamos como num conto de fadas: "E fomos felizes para sempre". Nunca prevemos os percalços. A vontade de viver este amor cega nossa razão que fica viciada em ver apenas numa única direção nos impedindo de ver o óbvio: É IMPOSSÍVEL!
 
Se a cada vez que ficássemos empolgados por alguém nós fizéssemos uma análise racional de tudo veríamos a possibilidade ou a impossibilidade de concretização. Aí é a hora da razão dominar o sentimento, aí é a hora do sentimento obedecer (cegamente) a razão.
 
Se a razão nos mostrou que é impossível a solução é: DESENCANA! Parte pra outra! Esquece! Não tem que insistir em algo que sabemos que não vai dar certo. A insistência vai culminar em sofrimento, pois quando finalmente o sentimento concordar com a razão o envolvimento já será real e aí a desvinculação é sempre dolorosa.
 
Devemos ser claros conosco mesmos para colocar em pratos limpos tudo o que sentimos e as reais condições que temos acesso. Devemos ser claros o suficiente para determinar as chances reais de tudo acontecer conforme o desejo de nosso sentimento. Devemos ser corajosos para admitir tudo isto e agir corretivamente para que não haja tanto envolvimento.
 
Devemos também ser claros com os outros. Quando alguém nos tem (digamos) em alta conta e com intenções de um relacionamento e não temos a intenção (ou vontade mesmo) de estar com esta pessoa o correto é deixar isto o mais claro possível. Se não formos compreendidos, dizer novamente usando palavras e expressões diferentes com a finalidade de esclarecer o máximo possível. Nos enganar é muito ruim, mas enganar os outros é pior ainda (e a idéia que vai ficar é esta, mesmo que não tenhamos consciência de nossos atos).
 
Isto é usar a razão de forma equilibrada para evitarmos ter de usá-la de forma radical para corrigir alguma trapalhada que o sentimento fez.
 

Comentários estão fechados.