Eu Confio

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Normalmente nós podemos contar nos dedos (de uma só mão) as pessoas em quem confiamos. Infelizmente é um número muito baixo de pessoas nesta posição.
 
A confiança é algo que não se admite meio termo. Ou ela existe ou não existe. Não é possível dizer que confia mais ou menos em alguém. Ou confiamos ou não confiamos. É (e tem de ser) bem simples.
 
Não há nada pior que uma confiança perdida porque é algo que nunca volta. É algo que jamais voltará a ser o que era antes. O processo de perda da confiança desintegra laços importantes e cruciais. Estes laços não se refazem (nem adianta tentar).
 
Mas engana-se quem pensa que trair a confiança está restrito a apenas divulgar um fato (segredo) confiado. A perda da confiança traduz-se no sentimento de não poder mais contar com a pessoa. O "eu não confio mais" é sinônimo do "desprezo" e o desprezo, por sua vez, é sempre uma via de mão dupla. Jamais há um caso de desprezo gratuito, é sempre motivado por alguma coisa.
 
O que eu quero com tudo isto? Simples! Tento fazer uma campanha (para mim) para sempre consolidar e alimentar a confiança que as pessoas têm em mim. Com isto eu adoto alguns procedimentos simples e que não doem nada fazer:
– Importância. Todo mundo é importante (apesar de ninguém ser imprescindível). Então valorizo todo mundo. Mostro a elas que a opinião delas é importante. Mostro também que elas também podem ser importantes na minha vida.
– Desprezo. Esta palavra deve ser riscada do nosso dicionário. Ninguém deve ser desprezado (por mais desprezível que seja). Devemos sempre deixar a opção do desprezo para os outros e nunca nos utilizar disto em nossa vida (mesmo que tenhamos sido desprezados).
– Sensibilidade. Devemos sempre ser sensíveis aos problemas alheios. Um espinho no dedo mindinho de alguém é (para esta pessoa) o maior problema do mundo. Falas como "isto não é nada" ou "isto é um problema muito pequeno" devem ser abolidas pois a pessoa está sofrendo. Não precisamos sofrer com elas, mas precisamos ser sensíveis aos problemas que estão vivendo.
– Atenção. Nunca falte com a atenção ao problema dos outros. Sempre responda, sempre opine, sempre sugira, sempre ampare. Se não tem nada a falar mostre que ouviu e entendeu tudo o que foi falado explicando que não sabe o que dizer. Isto é muito mais acolhedor do que o silêncio que caracteriza o avesso de tudo o que foi exposto acima.
 
Como é que podemos estimular as pessoas confiarem em nós se não damos importância a elas, se desprezamos quem tem problema, se somos sempre insensíveis ao sofrimento alheio e se não damos atenção quando nos falam alguma coisa?
 
Basta a falha num dos ítens acima para que haja um grande abalo na confiança. Falhe novamente no mesmo ítem ou em outros para consolidar a perda da confiança.
 
Normalmente só confiamos em quem não merece quando não existem alternativas. Mas basta aparecer outra pessoa que demonstre ser digna de nossa confiança para (literalmente) esquecer de quem não merece.
 
A pergunta que fica é: Como eu gostaria de ser tratado por alguém em quem eu confio?
 

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