Fugir

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Vamos fugir!
Deste lugar
Baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue…

Tá aí uma coisa que detesto fazer: Fugir. Não posso dizer que não fujo (tenho meus pontos fracos e ainda uso a fuga como solução), mas definitivamente não gosto de fazer isto.

Vamos descrever o processo e ver (ou tentar) a lógica de tudo.

Um problema acontece (quando não acontece, né?). Aí temos duas opções:
– Voltar a nossa atenção para ele com o intuito de resolvê-lo
– Abafar tudo e viver a vida como se o problema não houvesse acontecido.

A segunda opção é a fuga e ela aparece sob as mais diversas formas, por isto é que as vezes é difícil de ser reconhecer uma atitude de fuga. Sempre justificamos nossas atitudes como sendo a única opção possível mediante ao que estávamos sentindo ou mediante as circunstâncias.

Um problema não resolvido fatalmente retorna e, o que é pior, com mais força. Vamos entender isto. Se fugimos de alguma coisa é sinal que somos fracos perante o que aconteceu (não tenho medo de admitir minhas fraquezas). Se resolvemos fugir criamos em nós uma resistência ou um reforço em nosso medo. Mais tarde o problema retorna (na sua forma original, com os mesmos personagens e fatos ou num novo contexto). Aí além do problema em si, teremos o registro de nossa solução com a mesma coisa no passado. Resultado: Fugimos de novo. E vamos continuar fugindo até que sejamos confrontados de uma forma onde não existem meios de fugir. E aí é o momento que nosso mundo desaba. Só conseguiremos reerguer com ajuda profissional (psicólogos ou psiquiatras), talvez com remédios, e (principalmente) com muito esforço de nossa parte. Fazer as coisas de forma compulsória nunca foi uma boa saída, mas a vida se utiliza deste recurso quando todos os outros falham.

Eu sempre digo que quando insistimos em não seguir pelo bom caminho a vida se encarrega de nos colocar nele. O problema é que quando a vida chega a atuar iremos sofrer (e não é pouco). Ficaremos fragilizados, revoltados e (ao mesmo tempo) impotentes. Já imaginaram as consequências de tudo isto internamente?

Soluções? Claro que existem e não doem nada, diga-se de passagem!

Se cada problema que acontecer nós nos preocuparmos em resolvê-los com certeza eles não irão crescer. Se retornarem teremos o registro da solução anterior (se não deu certo, já temos a informação do que não fazer, o que eu considero uma excelente informação). A partir disto delineamos nosso comportamento com o objetivo de não sofrer e de não fazer ninguém sofrer.

O ideal é esgotar o problema para que não fique nenhum resquício onde ele possa nascer novamente. É bom lembrar que a cada renascimento do mesmo problema as raízes do problema ficam mais fortes e mais difíceis de serem resolvidas. A diferença é que quando empregamos esforços em sua solução o nosso esforço enfraquece esta raiz e nós nos tornamos mais fortes pelo simples fato de termos tentado ou de termos nos movimentado na produção da solução.

Não fiquemos parados esperando que os problemas irão se resolver por si só porque isto não vai acontecer. Não fiquemos esperando uma "Fada Madrinha" que vai resolver tudo com sua maravilhosa varinha de condão.

Não posso falar pelos outros, mas eu me sinto muito mal quando não resolvo meus problemas…

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