Desculpas

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Por muitas vezes eu quis desferir um golpe mortal no pescoço de alguém e fui severamente contido porque ganhei aquele famoso "tapinha nas costas" seguido de um sorriso amarelo e um seco pedido de desculpas.

Um conhecido meu (que tem uma idade avançada) dizia:
– Depois que inventaram a desculpa minha garrucha enferrujou!

As vezes eu entendo o que ele quer dizer vivenciando algumas situações.

Somos forçados a engolir nossa raiva e nossas vontades mais primitivas por causa de tudo isto. É claro que é muito difícil conter este tipo de pensamento, ao passo que não é tão difícil refrear atitudes.

Ficamos roxos de raiva e na hora da explosão ouvimos:
– Me desculpe!

E aí (em nome dos bons costumes) a roxidão se solta em forma de um:
– Não foi nada!

Quando a adrenalina vai embora, se lembrarmos do fato podemos até achar graça de nossa atitude mental naquele momento.

Mas o que eu quero com tudo isto? Simplesmente observar que todas as nossas piores atitudes podem ser contidas. Isto significa dizer que somos vencedores pois conseguimos vencer o nosso mais forte oponente na mais árdua batalha (o oponente mais forte somos nós mesmos).

Já pararam para mensurar quantas batalhas nós já vencemos? Nós temos o péssimo hábito de registrar apenas as derrotas (que são em muito menor quantidade que as vitórias). Isto se deve ao fato de que fomos criados para observar os nossos erros com o propósito de corrigi-los. Mas eu proponho observar os acertos com o propósito de repeti-los.

Em quais momentos fomos capazes de conter aquele acesso de raiva e soltar uma frase de compreensão perante uma falta que cometeram conosco? Estou me referindo àqueles momentos em que somos (reconhecidamente) as vítimas e estamos diante de nossos opressores arrependidos pelo que foi feito.

Mas, como não sou de ficar satisfeito por pouca coisa, eu vou mais além: Que tal exercitarmos o perdão sem a necessidade do pedido ser verbalizado?

Eu sei que alguns podem achar que estou pedindo demais, que isto está além de suas forças e capacidade. Mas é uma idéia, é algo para se pensar. A pergunta chave para originar a atitude é: Pra que eu preciso que a pessoa me peça perdão?

Isto não é pra se fazer agora, vamos nos preocupar (por hora) em nos conter em nossos acessos de raiva e explosões. Já vai ser um grande passo… Quem sabe mais tarde?

 

2 Respostas to “Desculpas”

  1. Sâmia Says:

    Um dia, lembro-me bem, você me “obrigou” a pedir desculpas mesmo eu estando certa numa determinada situação. Eu disse a vocês que teria um câncer de fígado tamanha mágoa que estava sentindo e ainda tendo que pedir desculpas.
    Confiei e segui seu conselho e fui lá produzir a desculpa. Foi a melhor coisa que fiz em minha vida! A pessoa para quem pedi desculpa, além de reconhecer o próprio erro, nunca mais tornou a repeti-lo e minha relação com este ser melhorou ainda mais.
    Só tenho a te agradecer por isso e dizer que REALMENTE vale mais a pena ser feliz do que ter razão.

    Um grande abraço, meu grande amigo,
    Sâmia.

  2. Marcelo Torres Says:

    Eu me lembro bem e fico muito feliz por ter conseguido ajudar em alguma coisa.

    Um grande abraço minha amiga!