O Mal e o Remédio

 

O Mal e o Remédio

 

Para todo mal existe um remédio. Pelo menos esta é a minha forma positiva de ver as coisas. Todo e qualquer mal tem de ter um remédio. Pode ser que o remédio seja muito amargo, mas é remédio.

Não me refiro aos males físicos. Estes os médicos curam com destreza através da medicina. Mas falo dos males que ninguém vê, daqueles que não aparecem em exames clínicos ou, quando aparecem é porque já são consequências de um mal bem maior (é só a “ponta do iceberg”).

Eu desempenho um papel numa instituição filantrópica de atendente fraterno. O que é isso e para que serve isto? Resumidamente falando é a pessoa que se dispõe a ouvir os problemas dos outros e tentar mostrar um outro ângulo do mesmo problema. Não significa que vai dar a solução do mesmo (e isto nunca acontece) mas apenas é uma outra visão sobre o mesmo fato e daí modificamos a ótica do mesmo.

Sou aquela pessoa que tem paciência de ouvir o desabafo de alguém que está (muitas vezes) desesperado e o simples fato de compartilhar com alguém uma situação difícil já sente um grande alívio.

Sou aquela pessoa que empresta o ouvido e se presta a dar algum pitaco positivo na vida dos outros.

Desempenho este papel já fazem aproximadamente uns cinco anos e neste tempo todo tenho muita história para contar.

Antes de qualquer coisa, a minha ética para com o trabalho me impede de relatar particularidades dos problemas que ouço. Quando comento os problemas nunca os associo às pessoas pois isto seria constrangê-las e aí perco a credibilidade no que faço.

Bem. Já ouvi uma mãe que chegou me dizendo que o relacionamento com a filha de 23 anos estava muito ruim pois raramente conversavam. Perguntei a ela o que estava sendo feito para resolver o problema. E ela me responde a resposta mais comum: Nada! Então receitei a ela uma coisa que já receitei para um monte de gente e deixo aqui registrado para quem possa se encaixar nisto. Dei o nome de Terapia do Abraço. É bem simples de fazer. Basta dar um abraço. Não precisa dizer nada, nem de pedir e nem de dar satisfações. Apenas dê um abraço curtinho (no início), mas dê. Vai ser forçado, eu sei. Mas não se importe com isto. A pessoa não vai retribuir, mas não se importe com isso. O abraço é um presente, então dê o presente independente se a pessoa quer ou não. O que ela fará com o presente que você deu não é problema seu. Apenas dê o abraço. No dia seguinte faça a mesma coisa. Dê outro abraço. Não peça outro em troca. Dê o seu abraço. Vai notar que o tempo do abraço vai aumentar gradativamente. O que antes era um abraço curtinho, com pouco tempo passa a ser aquele abraço apertado. Se a pessoa te perguntar porque você está dando este abraço, responda que deu vontade de abraçá-la e não vai mais segurar esta vontade. O que vai acontecer no futuro? As pessoas tornam-se mais tolerantes para ouvir uma a outra. Sem gastar um centavo sequer com remédio ou terapeuta.

Ouvi uma outra mãe reclamando da filha de 4 anos de idade. A criança estava muito rebelde, não obedecia, fazia “n” coisas erradas e parecia sentir prazer em irritar principalmente a mãe. A minha recomendação: SEJA MÃE! (Até já escrevi sobre isto noutro texto, se quiser lê-lo clique aqui!). E ela, obviamente, me perguntou como era isto, porque sempre acho que era mãe pois a criança era sua filha. E eu perguntei a ela quando foi a última vez que disse para a filha que a amava, que a colocou no colo para brincar com ela, que deitou com ela na cama para fazer carinhos (e mais um monte de coisas). Para minha surpresa ela me disse: Já entendi o que você quer dizer, pois muito raramente eu faço isto. Não me recordo quando foi a última vez que fiz alguma coisa assim.

Ouvi uma senhora que me disse que estava cheia de problemas. O filho estava preso, a mãe estava doente e se recusava a fazer o tratamento médico, a filha estava grávida do namorado, a esposa do filho preso estava reclamando que os filhos estavam dando trabalho (e falou mais alguns problemas que hoje eu não recordo). Ouvi tudo o que ela tinha para dizer. Quando tive uma deixa eu disse: A senhora me relatou vários problemas dos outros, mas e os seus problemas, quais são? Esqueça os problemas dos outros por enquanto porque agora eu quero ouvir os seus problemas. Houve um silêncio que eu não ousei em quebrá-lo. Ela, finalmente, rompeu o silêncio dizendo: Você tem toda razão! Eu não tenho problemas! Todo mundo tem problema mas eu mesma não tenho. Claro que emendei aqui o fato de que não devemos pegar para nós o problema dos outros (também escrevi sobre isto, se quiser ver clique aqui!).

Não dá para contar aqui mais de cinco anos de trabalho. O que eu quero mostrar é que em toda situação que acontece há sempre uma forma diferente de ver o mesmo fato de maneira que ele não pareça ser aquele bicho de sete cabeças. Ou seja, para todo mal que se apresenta existe um remédio interessante e fácil de ser administrado (em algumas vezes só vai custar um pouco de nosso orgulho, mas isto devemos pagar com prazer).

 

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