Sinceridade

 

Bomba

 

Eu posso ser sincero? Esta é a pergunta que inicia um grande dilema… O que realmente a pessoa que faz a pergunta espera como resposta?
– Não! De forma alguma, gostaria que mentisse sempre!
– Neste momento não! Por favor, minta apenas agora.

Esta é a pergunta que é feita quando temos uma crítica ferrenha a algum comportamento e (finalmente) encontramos a deixa para dizer. Aí sentimos a necessidade preparar os ouvidos da nossa “vítima” antes de despejarmos a (nossa) verdade que normalmente seria (e corre o grande risco de ser) ofensiva. Esperamos que ao falar esta frase tenhamos carta branca para dizer o que vier à cabeça e depois se a pessoa reclama que fomos duros, colocamos aquele belo sorriso amarelo no rosto e respondemos: Mas você disse que podia falar!

Muitas vezes nos escondemos atrás da palavra “sinceridade” para termos o direito de ofender e dizer coisas que com certeza não gostaríamos de ouvir. Aí dizemos: Sou sincero! Ou, quando realmente queremos disfarçar a nossa falta de caridade dizemos: Sou autêntico!

Nos especializamos em descobrir e apontar os erros dos outros. Fazemos isto numa maestria muito grande. E é curioso ver que nos encolerizamos quando alguém faz o mesmo conosco. E como é que funciona isto? São dois pesos e duas medidas? Funcionamos na base do “não faça comigo o que faço contigo”?

É muito comum vermos pessoas que simplesmente despejam um caminhão de verdades nos ouvidos alheios. Só que estas verdades estão (na maioria esmagadora das vezes) baseadas unicamente no ponto de vista do autor das verdades. Ou, quando muito, no ponto de vista de umas duas ou três pessoas que nunca pararam para averiguar o que exatamente acontece.

Sabem como eu chamo atitudes iguais a esta? Hipocrisia! É duro dizer isto, mas fazer esta falta de caridade com quem quer que seja e não suportar o mínimo da mesma atitude de volta não tenho outra palavra para traduzir.

Não estou me excluindo deste rol de pessoas nestas condições. Acredito piamente que cometemos sempre os mesmos erros dos quais criticamos nos outros (talvez numa escala diferente ou numa condição diferente, mas o erro é exatamente o mesmo).

Agora a proposta (não podia deixar de ter uma, né?): Antes de criticar qualquer pessoa ou situação procurar responder duas perguntas simples:
1. Tenho a característica que estou criticando?
2. Posso ajudar em alguma coisa?

Não precisa responder isto pra ninguém, apenas para si mesmo. Com isto nem precisa divulgar a resposta e nem parar de criticar. Mas só o fato de pensar a respeito já é um grande passo…

 

O desenho da bomba é para alertar o quanto pode ser explosiva a nossa “sinceridade”

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