O que eu quero?

 

Quero

 

Tenho uma amiga que atualmente está morando em Portugal. Há muito temos conversado sobre os mais diversos assuntos. Uns tempos atrás ela me mandou um texto de sua autoria que eu achei muito interessante e pedi a ela (na verdade forcei, rsrs) para que me deixasse publicá-lo. Em princípio ela foi taxativa no seu NÃO. Mas com muita conversa e com alguns argumentos ela acabou permitindo.

Inicialmente pensei em nem colocar nenhuma explicação disso aqui e só colocar o texto com um belíssimo pseudônimo (algo como Ambrosina, Maria Catalúnia, Ana Creolina, ou algum outro tão bonito quanto). Mas como ela me disse que não precisava ser com pseudônimo, então coloco o nome real dela. É bom que todos podem conhecê-la também.

Sem mais delongas…….

Eu quero… Bem, o que eu quero??? Parece engraçado, mas isso recorda a minha infância. Recorda-me a fase do “menina, o que você quer ser quando crescer?” Recorda-me a minha resposta mais sagaz: “Grande!”. Pensando bem, não mudei muito de minha infância pra cá. Eu quero ser grande, sim! Quero ser grande no sentido maior da palavra – ser grande comigo, com os outros, com o que faço, para quem faço, porquê eu faço. Quero ser grande de alma, de coração, de sensibilidade, mas quero ser grande de razão, também – afinal, tenho que manter os pés no chão antes de voar.

Lembro-me também da fase “quero ser astronauta”. Vivia (e às vezes vivo, até hoje) num mundo que era (e ainda é) só meu – com coisas bonitas, alegres e sorridentes por aí. Onde o sofrimento não tinha vez e onde o meu céu era o mais bonito. Sim, eu vivia no mundo da lua. Só que eu tive que crescer, virar gente grande e “deixar de ladinho” (porque ele ainda continua aqui) o meu céu que era só meu. Mas eu digo uma coisa: Por amor ou euforia, tudo de novo eu faria!

Aí teve o surto do “quero ser atriz”. Sair por aí, conhecer gente, trabalhar com coisas divertidas e encenar. Fiz escolinha de teatro e descobri que a vida pode ser melhorada com as coisinhas que se aprendem em cima dos palcos e atrás da coxia. Mas descobri que saber um pouquinho da arte de encenar pode ser deveras perigoso e tive que aprender a me controlar.

Fui crescendo, crescendo, crescendo… e descobri que quero ser criança de novo. Depois de uns tempos, descobri que ainda sou. Aí tive que descobrir outras vontades e outros desejos…

Hoje eu acho que quero a sorte de um amor tranqüilo com saber de fruta mordida, a paz que eu quero seguir, trabalhar naquilo que eu gosto e quero e que me dá prazer, todo amor que houver nessa vida, veneno anti-monotonia, música para ouvir, música para ouvir, música para ouvir, ser feliz até não poder mais, o mundo numa garrafa de coca-cola e os instantâneos mais bonitos que uma pessoa pode fotografar. Sorrisos, pessoas queridas (os amores mais amores que uma pessoa pode ter!), abraços, beijinhos e carinhos sem ter fim. Ser melhor – muito melhor!

Islane do Espírito Santo

 

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