Problemas

 

Problemas

 

Você pode me ajudar aqui?

Fazer este pedido com sinceridade nas palavras é algo tremendamente difícil! Estas palavras soam como um pedido ou como uma intimação? Aí está a grande dificuldade…

O que podemos fazer para ajudar a quem nos pede? Até que ponto devemos realmente ajudar?

O que eu quero dizer aqui é que devemos apenas (e tão somente) ajudar, mas não podemos, em hipótese alguma, tomar o problema para nós mesmos. Se assim fizermos não desfrutaremos dos louros do êxito mas arcaremos com o ônus do fracasso. Bem ruim isto, não?

Eu adoro exemplos práticos (já perceberam, né?). Então vamos a um deles. Suponhamos que somos motoristas de taxi. Alguém entre em nosso taxi e diz: “Vamos bem rápido porque senão vou perder o meu vôo”. Vamos decifrar isto. O passageiro tem um problema: Está atrasado para o seu vôo. Se nós (na pele do motorista de taxi) assumirmos este problema como nosso então vamos trafegar em alta velocidade, avançar sinais vermelhos e desrespeitar outras leis de trânsito. Com isto corremos o risco de atropelar alguém, causar algum acidente e/ou ganhar uma multa. Ok, vamos partir do pressuposto que conseguimos chegar ao aeroporto em segurança, porém, ganhamos uma multa. Valeu a pena ter assumido o problema alheio como nosso? Agora nós é que teremos outro problema (a multa, na melhor das hipóteses).

No caso de sermos o motorista de taxi podemos (no máximo) auxiliar para que o problema do passageiro seja resolvido ou que tenha consequências menos danosas. Mas nunca assumirmos o problema e/ou nos arriscar.

Isto é para a vida. Se assumirmos os problemas dos outros teremos uma grande dificuldade para resolvê-los por vários motivos:
1. Quem tem realmente condição de resolver os problemas são seus donos legítimos, visto que a vida deles é que proporciona as condições necessárias para isto.
2. Não iremos considerar a vontade dos legítimos donos de realmente resolverem os problemas, pois normalmente a vida exige mudanças.
3. Não nos é possível agir pelos outros ou viver a vida dos outros. Então não dá para comportar pelos outros nas mais diversas situações.

E quando assumimos os problemas dos outros e não conseguimos chegar à solução iremos ficar frustrados pois é mais um problema que fica para trás. Vamos lembrar que assumimos como nosso o problema que realmente não é. E a frustração é o menor dos problemas que pode acontecer. Outros (mais sérios) podem ocorrer. Tais como: Estado depressivo, perda da amizade (por exigirmos que a pessoa tome atitudes), entre outras coisas.

Eu não me canso de devolver para os outros os problemas que querem me transferir. Exemplo? Fácil. Outro dia uma pessoa me disse:
– Tem como você comprar uma coisa no seu cartão de crédito para mim?
Aff… não gosto muito disso, mas é uma pessoa da minha extrema confiança…
Eu respondi:
– Tem sim, claro.
– Mas eu tenho de comprar hoje.
– Hoje eu não posso. Só vou poder te acompanhar à loja daqui a três dias.
– Mas para mim não dá. O que eu vou fazer?
Pronto! Tá querendo me passar o problema! Dependendo da resposta que eu der a esta pergunta maldita o problema vira meu! Então a minha resposta sempre é:
– Não sei. O que você vai fazer?
Bingo!!! Devolvi o problema a quem de direito.

Outro exemplo: Uma vez minha filha me disse (por volta das 23:00):
– Pai, tenho de entregar um trabalho amanhã e preciso pesquisar na Internet.
(normalmente eu a ajudo nas pesquisas)
– Eu respondi: Você está com um grande problema, porque não dá pra te ajudar hoje. Se tivesse me dito ontem ou até hoje mais cedo ajudaria com prazer, mas agora infelizmente não vai dar.
– Mas se eu não entregar o professor vai achar ruim comigo.
– E com razão. Eu no lugar dele também acharia! E aí? O que você vai fazer?

Não vou colocar o resto do diálogo… rsrs… Mas o fato é que nunca mais ela deixou para a última hora para me pedir ajuda.

É bom estarmos atentos pois além de muita gente querer nos transferir os problemas as vezes nós mesmos temos este hábito feio. Ninguém tem a obrigação de resolver os nossos problemas da mesma forma que não temos a obrigação de resolver o problema de ninguém.
 

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