Branca de Neve e os Sete Anões

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Na noite de ontem meu filho me pediu para contar uma história.
 
Não estava com paciência para inventar uma história (como eu faço as vezes), então vamos às clássicas mesmo. A escolhida foi: Branca de Neve e os Sete Anões.
 
Para quem não sabe (e quem não sabe????) é aquela história de uma menina linda que foi vítima de inveja da madrasta que mandou matá-la. Mas o capanga encarregado de matá-la amarelou e ela fugiu para a floresta. Ficou abrigada numa cabana com sete anões (ela era a gigante do lugar) e para pagar a estadia teve de lavar, cozinhar e dar faxina na casa.
 
Nem precisa dizer que esta farsa foi logo descoberta pela madrasta que tratou de fazer o serviço pessoalmente. Disfarçada, deu a ela uma maçã envenenada, e ela morreu (ou pelo menos parecia morta). No seu velório aparece um príncipe que, diante de tanta beleza, resolveu beijá-la. Este beijo fez com que ela acordasse (se tudo curasse com um beijo…).
 
A história termina com: "E eles se casaram e foram felizes para sempre".
 
Bem, foi assim que eu terminei a história para meu filho que foi dormir alegre e satisfeito.
 
Mas eu continuei a história!
 
COMO ASSIM FORAM FELIZES PARA SEMPRE????
 
Vamos aos fatos: O sujeito vê uma mulher bonita, que aparentemente estava morta. Aí resolve beijá-la porque ficou encantado pela sua beleza. Até aí tem pouca coisa fora do comum. Estou sendo bem generoso ao considerar comum alguém querer beijar uma pessoa que nunca viu antes na vida e que já morreu, mas vamos passar batido por este fato. Então o cara beija a mulher e ela acorda da morte… Isto, na vida real, seria um verdadeiro corre-corre no velório. Imaginem a cena de alguém, num velório, levantando do caixão. Não vai ficar ninguém perto! O povo simplesmente vai voar para fora. Neste momento dramático é cada um por si e pernas pra que te quero!!!
 
Mas, na história não foi bem isto que aconteceu. Todos se alegraram com o fato. Que ótimo. Sinal que ela era muito querida. Vamos partir para esta hipótese porque senão complica muito.
 
Aí ela olha para o sujeito que a beijou e se encanta também.
 
Ah que ótimo! Fórmula perfeita para o casamento! Pronto! A garota e o príncipe se casaram. Mas entre casar e ser feliz para sempre há um imenso abismo.
 
Na verdade este é um casamento que tem tudo pra dar errado! Eles não se conhecem!!! Apenas se viram uma única vez e pronto! Vamos casar!
 
Por trás da beleza do bom moço podem haver uma série de coisas desagradáveis. Imaginem ele chegando em casa no meio da madrugada após uma farra com os amigos na taberna da vila? O cara que vive enfiado em roupas pesadas em cima de um cavalo chegando em casa com um baita chulé. Sem contar que o banho, naquela época, não era algo comum de se fazer (até hoje não é pelas bandas da Europa, mas não vou entrar nisto).
 
E ela? Bonitinha, delicadinha e prendada. Mas não é isenta de defeitos. Deve ser um poço de chatice e frescura. Imaginem ela nos bailes da realeza. O príncipe tem de ficar 100% do tempo ao lado dela porque se alguma mulher se aproximar a casa vai cair! Na menor contrariedade vai querer voltar para casa ou ir para o seu quarto (caso a festa seja no próprio palácio).
 
E os anões? Vai que ela cisma de levá-los para morar com elas (afinal de contas seria retribuir o favor)? Já imaginaram a vida do casal com sete pessoas morando junto com eles? E o pai dela? O cara é um banana, né? Viu a madrasta fazendo merda e não tomou atitude nenhuma… Mas, não vamos entrar nesta questão, o fato é que o pai dela estava sozinho pois a madrasta (e mulher dele) foi morta pelos anões. Já imaginaram a confusão que isto ia ser???
 
Não! Não há a menor possibilidade de haver felicidade após este casamento…
 
Um final perfeito para esta história seria a garota ter morrido, o pai ter acordado do surto psicótico e mandado prender a madrasta num calabouço a pão e água (uma vez por dia) e dar uma boa vida para os sete anões que protegeram a sua filha (fazendo o trabalho que ele deveria ter feito).
 
Mas para não ser tão dramático, há um outro final que poderia ter sido feito: A garota ter ficado encantada pelo rapaz e ele por ela. Daí surgir um namoro duradouro e sério para que eles se conhecessem melhor. O futuro deste namoro? Sinceramente não sei… Não sei se um iria suportar o outro… Mas ela voltaria a morar no palácio junto com o pai e os anões serem amplamente recompensados pela proteção que deram a ela e não precisar mais trabalhar naquela mina que tira a saúde deles.
 

3 Respostas to “Branca de Neve e os Sete Anões”

  1. Cláudia Isabele Says:

    Parabéns!
    Bastante plausível.
    Mas ela realmente deveria pensar duas vezes antes de casar com um príncipe sequelado que entra em enterro sem ser convidado e beija uma morta.
    Ai, ai, nem em histórias infantis as mulheres costumavam ter muito juízo.
    Isso é que dá sonhar com príncipe!

  2. Cleber Says:

    Cara…. que explanação bem fundamentada, infelizmente as pessoas mesmo após deixar de serem crianças, crescem achando que essas fantasias do mundo “encantado”, que de encantado não tem nada porque morre mais gente que na vida real, acontecem também na vida delas. As garotas depois de o pai e a mãe terem se matado de trabalhar pra comprar “fraldas que não dão alergia”, dormir no hospital por conta de febres noturnas, se lascar pra pagar uma fortuna de escola particular, acabam por encontrar um vagabundo, desatarefado… tem uns guris com o malacabado, não conseguem criar e acabam por entregar os mulekes pros avós, porque o desgraçado arruma outra descerebrada e larga a teba, que por fim fica depressiva e não dá atenção pros filhos. Agora te pergunto: quando é que a humanidade se tornou tão idiota?

  3. manu Says:

    legal poderei fazer o trabalho de produçaõ de texto