Julgamentos

 

Julgamentos

 

Aí está algo em que somos mestres por natureza. Julgar!

Percebam que existe uma diferença gritante entre julgar e avaliar. Na avaliação há sempre a possibilidade do erro, mas no julgamento não. Julgo e condeno (num mesmo ato). A avaliação é apenas uma observação (mesmo que tendenciosa).

Aprendemos desde pequenos que não devemos julgar ninguém, então, por causa deste “aprendizado” nunca admitimos que julgamos. É a mesma história da maledicência que comumente dizemos: Não estou falando mal, estou apenas comentando!

Basta aparecer uma oportunidade que julgamos e condenamos as pessoas sem que elas tenham feito nada conosco. Agimos assim por prevenção mesmo. Com medo de que esta pessoa faça conosco o que ficamos sabendo o que ela fez com os outros. E aí mora o grande perigo: O QUE FICAMOS SABENDO.

Lembram da frase (que até já virou jargão) que diz: Toda história possui no mínimo dois lados? Pois bem, saber apenas um lado da história e (a partir disto) julgar e condenar tem um nome bem feio: LEVIANDADE (mas pode chamar também de IRRESPONSABILIDADE ou IMATURIDADE que se aplica muito bem).

Já me justificaram o julgamento com um argumento bíblico dizendo que pelos frutos se conhece a árvore. Mas somente conheceremos a árvore pelos frutos se realmente conhecermos TODOS os frutos. Não dá para condenar uma goiabeira se acharmos uma goiaba com bicho. Fora disto é um julgamento prévio e (tecnicamente) infundado.

Julgar é comparado com aquele ato de bater o martelo dos juízes num tribunal. Ou seja, DECIDIDO. E é decisão que não se volta atrás. Só volta atrás com decisão superior e de outro juiz, nunca do mesmo. E é isto que fazemos. Julgamos e aí o nosso orgulho nos fecha num casulo protetor de forma que nos impede de ver o que (muitas vezes) está na cara: Agimos precipitadamente.

Deveríamos ser mais cautelosos em nossos julgamentos. Normalmente lesamos alguém com eles. Seja o “réu”, seja as pessoas que viram o nosso julgamento e (principalmente) nós mesmos porque alimentamos o nosso orgulho com tudo isto.

Atitudes contrárias ao julgamento: Benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão incondicional. Difícil? Não, desde que nos esforcemos para isto. Cruzar os braços e nos manter na mesma posição é que não nos fará sair do lugar.
 

2 Respostas to “Julgamentos”

  1. Sâmia Says:

    Sabe qual a única coisa que acho positiva no ato de julgar os outros? [Lembrando que há no mínimo dois lados de uma situação!] É que, quando julgamos os outros, evidenciamos aquelas cobras e lagartos que nós escondemos em nós e que aproveitam a “grande oportunidade” da palavra mal utilizada para se lançarem ao exterior. [i]“Lucas 12 – 2 Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido.”[/i]

    Acabamos confessando o velado…

    Belo texto, Marcelo!

    Abraços, meu amigo!

  2. Marcelo Says:

    Uma grande verdade! Nunca tinha pensado por este lado. É que sempre vemos nos outros os nossos reflexos. Um bom material para pensarmos…

    Abraços!