Círculo Vicioso

 

Uma vez conversava com um amigo tentando convencê-lo da necessidade de procurar um psicólogo. O argumento dele era: “Sou capaz de resolver meus problemas sem a necessidade de ajuda”.

Isto é o que todo mundo diz.

O meu contra-argumento foi:
“Sim, tenho certeza disto. Só resta saber se vai conseguir resolver tudo antes que a sua vida vire um caos.”

Resultado: Ele procurou um psicólogo.

Juro que falei isto sem pensar. Saiu no “susto”. Depois eu fiquei pensando sobre o assunto, pois se serviu pra ele serve pra mim também.

Eu acredito na capacidade humana. Somos capazes de contornar qualquer problema. Somos capazes de dar a volta por cima em qualquer situação. Disto eu realmente tenho certeza.

O problema é que não sabemos o caminho certo e para descobri-lo teremos de tentar. Faremos isto tantas vezes quantas forem necessárias até acharmos o certo. Procurar ajuda pode fazer a diferença entre quantos caminhos iremos tentar até achar o certo. Com ajuda podemos descartar muitos caminhos e deixar para tentar apenas aqueles que tem alguma chance de dar certo.

Não estou dizendo isto apenas para enaltecer o trabalho da psicologia (que é uma área que eu admiro muito). Inclusive agora vou “sair pela tangente” focando o objetivo de escrever tudo isto.

A pergunta que eu faço (e que serve de reflexão) é:
O que precisa de acontecer para que nos convençamos do que realmente temos de fazer?

Mudei o foco, eu sei.

Estamos vivendo de uma forma que muita coisa acontece conspirando para que façamos alguma coisa e aí nos munimos da liberdade que temos para agir diferente. Aí a vida se encarrega de criar situações para nos encurralar novamente. Optamos por outra coisa (numa fuga contumaz). Mais uma vez a vida tece novos caminhos e vamos chegar fatalmente na mesma situação. E poderemos fugir quantas vezes quisermos.

Isto acontecerá enquanto assim quisermos. Mas… Perceberam que a nossa vida parou? Quando agimos assim estamos andando em círculos com paisagens diferentes. Aí nos deparamos com outros personagens, com outros quadros e com as mesmas decisões. Fugir ou encarar? Fugir significa continuar no círculo vicioso, encarar significa sair dele e viver novas emoções.

A pergunta que fiz é bem precisa: O que é necessário acontecer para sairmos deste círculo vicioso?

Sempre que é necessário acontecer algo drástico em nossa vida para mudarmos de atitude é sinal que estamos esperando a nossa vida virar um caos para mudarmos. Não procuramos ajuda (e as vezes nem permitimos sermos ajudados) e tentamos resolver tudo do nosso jeito, numa repetição frenética de mesmas atitudes anteriores.

Acredito que se seguirmos a mesma receita o resultado será sempre o mesmo, portanto, é preciso mudar alguma coisa em nosso “modus operandi”. Mas aí vale o que eu disse no início: Procure ajuda para mudar algo que realmente seja significativo.

A cada tentativa feita, situações, pessoas e oportunidades (responsáveis por esta mudança) se vão e não voltam mais. Aparecerão outras situações, outras pessoas e outras oportunidades. E estas também irão embora (para nunca mais voltar) caso resolvamos fazer outra tentativa em permanecer do mesmo jeito.

É preciso sofrer? Não acredito nisto. Não precisamos sofrer para aprender, mas o sofrimento irá fatalmente aparecer como consequência de nossas tentativas mal sucedidas.

E sabem o que é curioso? Muitas das mudanças que fazemos em prol de nosso bem sabemos que não é suficiente (quando não sabemos também que não vai dar em naquilo que pretendemos).

Que tal sairmos deste círculo vicioso agora? Sim, agora! Avalie se é capaz de produzir uma mudança significativa na sua vida (e diferente de tudo o que vem tentando). Avalie isto com frieza mesmo. Se ver que não é capaz, procure ajuda. Eu já fiz seis meses de terapia com um psicólogo e achei a melhor coisa do mundo. Procurar ajuda não é sinal de fracasso, muito pelo contrário, é sinal de força de vontade na própria melhoria.

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