(IN)UTILIDADE

utilidade

 

“Utilidade é uma coisa muito cansativa. Você ter utilidade para alguém é uma coisa muito cansativa.

Tá certo, realiza. Humanamente falando, é interessante você saber fazer as coisas, mas eu acredito que a utilidade é um território muito perigoso, porque muitas vezes a gente acha que o outro gosta da gente, mas não, ele está é interessado naquilo que a gente faz por ele.

É por isto que a velhice é este tempo que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa.

Eu acho que é o momento que a gente purifica, é o momento que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado.

Por isto eu peço a Deus poder envelhecer ao lado das pessoas que me amam, pessoas que me possam proporcionar a oportunidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo sem perder o valor. Alguém que saiba acolher a minha inutilidade, alguém que olhe pra mim e saber que eu não tenho mais nenhuma utilidade e tenho o meu valor.

Se você quer saber se o outro te ama de verdade, é só avaliar se ele é capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: Quem nesta vida já pode ficar inútil para você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora?

É assim que nós descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isto eu digo: Feliz aquele que tem, ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir a fala que diz: Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”   –   Padre Fábio de Melo

 

 

Eu realmente gostei deste texto. Uma amiga me disse que é lindo, verdadeiro e triste (ao mesmo tempo). Concordo plenamente com ela. É maravilhoso alguém gostar do outro pelo seu valor como pessoa e é triste descobrir que aquela pessoa que diz gostar, no fundo só disse isto apenas porque a pessoa lhe era útil.

Já vivi muitas vezes a sensação de ter sido jogado fora após ter passado o tempo da utilidade. Pessoas que se diziam amigas e que me disseram que sempre estariam ao meu lado. Mas bastou eu mostrar o meu lado inútil (na vida delas) que fui descartado e substituído por outra pessoa que supriu a necessidade que tinham.

Mas isto não me abala (pelo menos hoje não mais). As pessoas são livres para vir e ir (nem sempre permito o movimento contrário). Não deixo de ser disponível a quem quer que seja, mesmo sabendo que serei descartado mais tarde. Tenho o coração mole e sempre me mantenho a disposição. Mas da minha intimidade só participam quem realmente merece.

Considero como fator primordial, em qualquer relacionamento, o respeito. E considero (também) como uma atitude altamente desrespeitosa o descarte de pessoas inúteis.

Não que precisamos manter contato constante. Tenho grandes amigos que raramente vejo, mas que quando vejo há uma enorme alegria mútua. Não é esta a questão. O que eu me refiro é o fato de ser descartado por não ter mais utilidade. Daquela pessoa que somente (e tão somente) procura quando precisa de alguma coisa. De resto, somos mais um na multidão de conhecidos.

É óbvio que o texto também serviu pra mim. Serve para que eu reflita o quanto faço a mesma coisa com os outros. A quem me dedico e chamo de amigo, nunca descartei. Mas já descartei amizades por ter sido descartado como pessoa. E é claro que existem pessoas que nos vinculamos apenas por uma questão de necessidade mesmo. Não quer dizer que todo mundo que ajudamos ou que pedimos ajuda tem de ser considerado amigo.

É algo para refletirmos mesmo! Vamos pensar a respeito…

Comentários estão fechados.