Copa do Mundo

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Brasil-sil-sil-sil…

Em nenhum momento, desde que o Brasil se propôs a sediar a Copa, eu pronunciei publicamente qualquer coisa contrária. Apesar de ter minha opinião 100% contrária.

Ontem, logo após o trágico jogo, recebi uma mensagem de uma amiga com uma frase que expressou tudo o meu pensamento sobre tudo: “O resultado do jogo foi a vitória da competência sobre a malandragem”. Infelizmente nós somos o país da malandragem e tomamos o cuidado de passar isto de geração a geração. É o lugar onde sempre aproveitamos toda e qualquer oportunidade de nos darmos bem, custe o que custar.

Ah, não concordam? Então me digam quantas vezes faltou ao trabalho por motivo fútil e mentiu para todo mundo por causa disto. Ou me digam quantas vezes fizeram alguma coisa errada e deixaram pra lá porque, afinal de contas, ninguém viu mesmo… Vamos colocar isto no campo de futebol? Contem quantas faltas cavadas, quantos pênaltis reclamados sem nenhuma razão, quantas reclamações de coisas que não aconteceram, quantos “jeitinhos brasileiros” que muitos (a maioria) de nós diz que jogo roubado é mais gostoso…

Em nenhum momento desta Copa eu torci para a seleção brasileira. Não me sinto orgulhoso de falar isto, mas me sinto muito bem em dizer que ao invés de torcer para a seleção brasileira eu torço para o Brasil. Sou brasileiro muito antes de ser amante de futebol (e olhe que eu nem gosto tanto de futebol).

Torci para que a seleção não passasse da primeira fase do campeonato. Na minha opinião o quanto mais cedo ela saísse da Copa melhor para o país. Uma multidão inflamada e enxergando apenas (e tão somente) uma competição esportiva ao invés de assuntos bem mais importantes.

A cada partida eu ficava esperando a forma como a seleção brasileira iria perder e colocar fim nos ânimos exaltados e despreocupados com o restante da nação. Sim, a nação brasileira, o lugar onde moramos e que está uma verdadeira soma de várias coisas ruins (e que a maioria prefere varrer pra debaixo do tapete, afinal estamos na Copa e esta é a Copa das Copas, não é???).

Algumas pessoas me chamaram de “sem pátria”. Me deu vontade de rir, porque eu não torci para a seleção justamente por ser patriota. Patriota a ponto de colocar de lado a emoção de um título no cenário mundial de lado em favor de uma vida melhor no país que vivo.

O que ganhamos com a perda? Talvez nada. Mas acredito que teríamos muito a perder com a vitória. Por incrível que pareça a alegria do brasileiro se traduz em entorpecimento mental, o que resulta em baixo níveis de reclamações perante tudo o que acontece.

Não se faz Copa com hospitais, disse a celebridade antes do início das “festividades”. O outro diz que deveríamos deixar os protestos para depois da Copa. E assim vamos empurrando as erradas para debaixo do tapete, sem que haja qualquer coisa em contrário.

Ah, mas ambos os exemplos que dei foram duramente criticados. Mas qual a diferença isto fez? Resposta: Nenhuma! Exatamente. O que falaram foi, simplesmente, a expressão do pensamento da maioria (e da maioria que comanda o país, diga-se de passagem).

Sim, torci contra a seleção e ainda fiz a promessa de comprar a camisa da seleção que tirasse o Brasil da competição (vou cumprir em breve, vai ser a primeira camisa de time que terei no meu guarda-roupas). A promessa foi em tom de gozação, mas quero cumprir (também em tom de gozação). Não me faltam argumentos para torcer contra mas me falta ânimo pra ficar explicando e as pessoas apenas discordando sem um mínimo de raciocínio (fico com a sensação de que é como explicar matemática para um macaco).

E na próxima Copa? Não sei! Se eu estiver vivo até lá e o cenário do meu país (sim ele também é MEU, por incrível que pareça) for o mesmo, terei o prazer de novamente torce contra a seleção e a favor do país.

Sim, sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Só não torço para a seleção brasileira, enquanto for ponta de um iceberg de coisa suja e lamentável.

Tenho muito (mas muito) mais a dizer sobre este mesmo assunto, com o tempo vou colocando aos poucos.

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