Vamos Errar?

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Convite estranho, não? Com certeza muita gente ao ouvir este tipo de convite saindo de mim vai achar que desta vez eu mereça ser internado num hospital psiquiátrico (na verdade tem gente que acha isto faz tempo, só falta oportunidade mesmo)!
 
Mas eu tenho falado muito sobre o erro. O erro tem se tornado um verdadeiro bicho papão em todos os segmentos.
 
Tenho ouvido sempre a frase: EU NÃO POSSO ERRAR! E tenho sempre respondido com outra frase: VOCÊ NÃO SÓ PODE COMO TEM O DIREITO DE ERRAR!
 
Não só podemos errar como o erro irá (mesmo que não queiramos) nos colocar no caminho do acerto.
 
Nós vamos cometer vários erros. E vamos cometer os erros piores e seremos reincidentes neles por várias e várias vezes. Vamos cometer erros conscientes do que estamos fazendo. E eu sempre vou achar isto maravilhoso! A maravilha que eu vejo nisto classifico em dois ítens:
1. Evolução. Até bem pouco tempo errávamos inconscientemente e achando que estávamos certos. Hoje sabemos que é errado (embora ainda não tenhamos forças para evitar o erro). Estão vendo a evolução?
2. Cada vez que eu erro eu me modifico. Mesmo que a mudança seja praticamente invisível "a olho nu", mas eu mudo! Vou cometer o mesmo erro num outro tempo, mas com certeza não serei exatamente a mesma pessoa de antes e não serei a mesma pessoa de agora depois que eu levantar do erro cometido.
 
Sempre que eu me martirizo por um erro cometido saio carregando alguns sentimentos bem desagradáveis:
– Desesperança. Mato todas as esperanças de que eu posso um dia ser melhor.
– Inferioridade. Por ter errado vou me considerar o pior dos seres humanos. O mais fraco. Aquele que não consegue vencer nem a si mesmo (como se este fosse o menor dos adversários).
– Depressão. Por me considerar inferior e por não ter esperanças numa situação melhor para mim alimento a "certeza" de que nunca as coisas irão mudar. Aí vem uma coisa bem ruim que é a depressão. Vou me considerar um peso para minha família e para a sociedade. Tudo isto porque eu não consigo evitar de errar.
 
Em momento algum eu disse que devemos ficar felizes porque erramos. Só disse que não devemos ficar tristes. O que eu quero dizer é que quando acontece um erro é um marco no tempo e quando nos recuperamos deste erro (levantamos a cabeça para voltar olhar a vida) é outro marco no tempo. O ideal é que estes dois marcos estejam o mais próximos possíveis para que não percamos tempo no remorso que nada faz de útil para ninguém.
 
Devemos mapear os nossos erros. Isto é nos conhecer. Não significa que não cometeremos o mesmo erro apenas pelo simples fato de saber que o mesmo existe. Mas teremos uma base (espero que extensa) de conhecimento sobre nós mesmos. Nos conhecer é a chave de qualquer sucesso. Sócrates (filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo) disse uma frase que marcou a humanidade: CONHECE-TE A TI MESMO! Quanto mais o tempo passa mais necessidade temos de nos conhecer.
 
Uma coisa paradoxal é: Quanto mais eu erro mais eu aprendo sobre o erro e menos chance tenho de errar.
 
Vamos nos permitir errar sim, mas mais importante que errar é aprender com o erro.
 

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