Perdão

Perdão

Qual foi a última vez que você (que lê isto agora) pediu perdão a alguém por alguma coisa ruim que fez?

Mas veja bem, vasculhe na sua memória a última vez que simplesmente pediu perdão por reconhecer-se errado na situação e sem que tenha tentado se justificar no erro dos outros. Não dá mais para tentar justificar o nosso erro no erro que outras pessoas cometeram.

Não assuste se não lembrar ou se a época estiver distante ou mesmo se foram pouquíssimas vezes. Está dentro do padrão considerado normal pela OMTPC (Organização Marcelo Torres de Pesquisa Comportamental, rsrsrs).

O fato é que muito raramente deixamos o nosso orgulho de lado para admitir que erramos. Sabe aquela frase difícil de pronunciar? Aquela assim: “Me perdoe porque eu errei”. Pois bem. É difícil de pronunciar porque admitir o erro significa se colocar numa posição humilhante (é uma facada no orgulho). É admitir que somos seres humanos falíveis e que desta vez fui eu quem faliu.

É comum, neste momento, nos sentirmos num tribunal onde cometemos um crime inafiançável e estamos diante de um juiz e de um juri implacável.

Deu pra sentir o que é, não é? E deu pra perceber o quanto precisamos praticar este ato, não é?

Então agora vamos viajar para o outro extremo. Alguém comete um erro conosco e pede perdão. Como é a nossa atitude? Abrir ainda mais a ferida ou passar um remédio para que a ferida não doa ainda mais? Aliás, como é que gostaríamos que as pessoas agissem conosco naquela mesma situação?

Agora é hora de fazermos algumas análises interessantes.

Se pedimos perdão por uma falta cometida e a outra pessoa não perdoa o problema deixa de ser nosso. Não iremos depender do perdão (como se perdão fosse um produto que é colocado numa prateleira de supermercado e só conseguimos avançar se o tivermos em nosso patrimônio pessoal). O reconhecimento do erro cometido é fundamental para que tracemos metas e rotas em nossa vida, procurando evitar a mesma falta.

O pedido de perdão é o ápice de uma situação difícil. É o último momento de estresse e é o primeiro momento de alívio ou de reversão do problema.

No momento em que alguém nos pede perdão nos cabe perdoar. Mas vamos lembrar que perdoar não é esquecer a ofensa. Só esqueceremos o fato (a ofensa cometida) se tivermos uma amnésia, como as chances disto acontecer são remotas, com certeza iremos lembrar sim. Perdoar significa dizer que o ato cometido não mais vai ser considerado como ofensa porque o ofensor reconheceu o seu erro e se propôs mudar suas atitudes para que isto não volte a acontecer.

Não poderia deixar de falar do perdão mais difícil de pedir. O perdão de si mesmo. Cometi um erro. Devo me perdoar pelo erro cometido e me propor a não mais cometer o mesmo erro. Isto não significa que estamos “vacinados” contra o erro cometido anteriormente. Temos de nos permitir errar novamente e tantas vezes quantas forem necessárias ao nosso aprendizado. Cada erro cometido (e admitido) nos ensina alguma coisa. Com muitos ensinamentos passamos a nos antever ao erro para evitar que seja novamente cometido. Mas isto é ideal e nossa realidade é bem outra.

Há várias nuances de perdão (como podemos ver aqui). Escolha uma delas e trabalhe dentro de si.

Trabalha daí que eu trabalho daqui. Se todos trabalharem esta questão ao mesmo tempo o mundo muda da noite para o dia.

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