Sofrimento Antecipado

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É interessante observar como as pessoas gostam de sofrer antecipadamente por algo que sequer sabem se vai acontecer.
 
Lembro de um caso de um amigo. Comprou um sapato e o vendedor, por engano, colocou na caixa um outro sapato. Era sábado. Ele chegou em casa a noite e ao verificar o ocorrido começou a tecer toda um plano de ação para convencer o vendedor de que aquele sapato não foi o que ele havia escolhido e que, portanto, deveria ser trocado.
 
Arquitetou diálogos intermináveis, explicações das mais simples às mais complexas, delineou todas as possibilidades que o vendedor e qualquer um que trabalha na loja poderia ter. No seu plano de ação havia a clara possibilidade de:
– Ligar para a Delegacia de Ordem Econômica;
– Ligar para a Polícia e registrar um Boletim de Ocorrência;
– Procurar o PROCON;
– Entrar com uma ação no Juizado de Pequenas Causas.
 
Mas isto depois de gritar com todos, ameaçar todo mundo, ameaçar a publicar uma nota num jornal de grande circulação sobre todo o ocorrido.
 
Bem, passou o resto de seu sábado e todo o domingo pensando nisto.
 
Na segunda-feira ele saiu de casa pela manhã e ao invés de ir trabalhar foi para a loja esperar que ela fosse aberta e começar a novela que ele imaginou.
 
Quando a loja abriu ele procurou a pessoa de lá e disse:
– Eu comprei um sapato no sábado e ao chegar em casa vi que não era o sapato que eu escolhi.
 
A funcionária da loja disse:
– Ah sim! E qual é o sapato que você escolheu?
 
Ele mostrou e ela imediatamente trocou sem nenhuma outra pergunta ou qualquer outro gesto.
 
Obviamente ele saiu de lá com vergonha de si mesmo!
 
É justamente disto que quero dizer neste texto.
 
Quanto tempo perdemos sofrendo por coisas que ainda não aconteceram? O mais curioso é a nossa capacidade de adivinhação. Somos capazes de planejar a nossa vida como se aquilo que pensamos estivesse acontecendo no presente.
 
Que tal se pudermos viver apenas o presente? Aliás, a pergunta é diferente: Os problemas do presente não são suficientemente grandes para nós?
 
A proposta é deixarmos que os problemas do (ou previstos para o) futuro para quando este futuro se tornar presente. Quando o futuro se tornar presente o problema que vislumbramos um tempo atrás pode ter sido modificado pelos acontecimentos normais ou podemos ter tido algum recurso extra que nos tornou suficientemente aptos para encarar o problema sem sofrer. Tudo (inclusive o próprio problema previsto) está no campo das possibilidades.
 
O fato é que encarar uma possibilidade como realidade pode nos trazer grandes prejuízos!
 

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