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Intolerância Política

sexta-feira, outubro 10th, 2014

Intolerância Política

 

 

Vou falar de um assunto que já abordei por aqui: Intolerância.

Com muita surpresa eu vi pessoas que se dizem contra a intolerância religiosa mas são verdadeiros intolerantes políticos. Primeiro vamos entender tudo isto.

O intolerante religioso não admite (ou acredita ser inválida) qualquer religião diferente da que ele professa. E isto não está restrito a um ou outro religioso, desta ou daquela religião. Abrange a muitos religiosos de todas as religiões. Espíritas batem no peito negando que são intolerantes, mas não perdem a oportunidade de afirmar que professam a religião evoluída (dizem que as pessoas evoluem até se tornarem espíritas). Normalmente eu digo para estas pessoas que Irmã Dulce então estava no caminho errado, o mesmo caminho errado que trilhou Madre Tereza de Calcutá ou Gandhi ou Francisco de Assis (e por aí vai). Sinto muito, são intolerantes tanto quanto aquele evangélico que divulga aos quatro ventos que todos, diferente da sua religião, irão para o inferno.

Ok, mas vamos admitir, existem muitos bons religiosos (em todas as religiões). Aqueles que respeitam as diferenças entre as religiões e convivem harmonicamente (apesar destas diferenças). Chegam até a conversar sobre religião, mas não entram (ou não se prendem) nas diferenças que os separam. Ao invés disto, preocupam-se com a essência religiosa que os une. E isto é muito bonito de se ver. Eu tenho o prazer de conhecer algumas pessoas assim.

Pois bem, estas mesmas pessoas que se preocupam em não ser intolerantes na religião, praticam a intolerância com a política. Acham que quem vota neste ou naquele candidato é uma pessoa burra (sim, “burra” é o sinônimo para o termo bonito que usam: “menos esclarecidas”). É incrível como algumas pessoas que tinham (sim, verbo no passado) alta cotação comigo por se portarem educamente, no que tange o respeito das diferenças, se mostraram intolerantes em questões políticas.

Vou contar uma novidade para estas pessoas: Não importa se a intolerância é religiosa, política, racial, sexual, etc. É intolerância e ponto. Querem uma comparação mais drástica? É bem simples, não importa se alguém mata com uma faca, um revólver, uma escopeta ou um veneno. O ato de matar é único.

Confesso que fiquei tão surpreso com a atitude de determinadas pessoas que utilizaram desta mesma intolerância para praticar outro ato que é tão lamentável quanto: A Discriminação. Vi pessoas discriminando negros, nordestinos (entre outros) por causa de uma mísera e medíocre eleição. Apenas porque exerceram da liberdade que lhes é garantida de votar em quem eles bem quiserem. Não sei se compreenderam o que eu disse: Pessoas do meu convívio, que eu considerava como íntegras, fazendo algo tão ridículo!

Por mais que eu fale, jamais vou conseguir expressar o tamanho da minha indignação ou o tamanho da minha decepção com quem está neste círculo de intolerância e discriminação.

Eu nunca fui de revelar em quem eu votei, principalmente num meio público. Mas vou dizer aqui. Como eu sou uma pessoa livre, tenho a liberdade de escolha pra fazer o que bem quiser e entender (desde que não atinja outras pessoas), usei desta minha liberdade para votar no Aécio Neves. Votei porque achei que deveria votar nele e ponto. Claro que tem inúmeras outras razões, não vou expo-las aqui por achar desnecessário. Mas estou dizendo o meu voto para que quem tiver de me discriminar e deixar de ser meu amigo (ou amiga) por causa disto eu tenho só uma coisa a dizer: A porta da rua é serventia da casa. Se você me discrimina por causa do exercício da minha liberdade (a mesma liberdade que você também tem), por favor, pode sair da minha vida e não volte.

Não há como considerar um bom relacionamento, seja ele qual for, sem um mínimo de respeito. Um respeito mínimo é permitir que outras pessoas usufruam de sua liberdade da mesma forma como gostamos de usufruir da nossa. Felizmente tenho bons relacionamentos com pessoas incrivelmente respeitadoras.